O Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia vai ampliar a prontidão das Forças Armadas em uma das áreas mais sensíveis do território brasileiro
Por Misto Brasil – DF
A criação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia marca um movimento estratégico de regionalização militar e fortalecimento científico.
Vai ampliar a prontidão das Forças Armadas em uma das áreas mais sensíveis do território brasileiro, afirmou em entrevista à Sputnik o capitão da reserva da Marinha do Brasil Robinson Farinazzo.
A iniciativa, segundo ele, responde a desafios urgentes. A instalação do instituto no Norte do país representa, para Farinazzo, um passo decisivo na adaptação das Forças Armadas às realidades regionais.
Em entrevista à Sputnik, o capitão da reserva lembra que o Brasil é um território de dimensões continentais e que soluções centralizadas já não atendem às necessidades operacionais.
“É importante essa regionalização de centros de excelência do Exército brasileiro”, afirmou, destacando que a Amazônia exige capacidades específicas e presença permanente.O capitão ressalta que o recente episódio de tensão na Venezuela reforçou a percepção de vulnerabilidades no entorno estratégico brasileiro.
“Isso acabou despertando no Brasil uma visão bastante pungente das ameaças que se avizinham no horizonte“, disse. Para ele, a decisão de criar o instituto não nasce desse evento, mas pode ter sido acelerada por ele.
Farinazzo lembra que projetos dessa natureza costumam ter longa maturação dentro das Forças Armadas. Ainda assim, reconhece que o impacto regional da crise venezuelana serviu de alerta.
“Os acontecimentos podem ter precipitado a decisão. […] Porque, na verdade, o que aconteceu na Venezuela teve um impacto muito grande no meio militar do Brasil. Todo mundo olhou e falou, isso aconteceu lá e não é difícil acontecer em outro país da América Latina”, afirmou.
Do ponto de vista estratégico, o novo instituto pode ajudar a reduzir o atraso tecnológico da América Latina em relação às grandes potências militares. Farinazzo lista lacunas críticas: ausência de satélites próprios, programas robustos de drones, domínio incompleto de tecnologias de mísseis e a inexistência de submarinos nucleares.
