O documento foi entregue hoje à tarde pessoalmente pelo presidente do BRB aos diretores do Banco Central
Por Misto Brasil – DF
Às vésperas do fim do prazo para apresentar alternativas para cobrir um rombo de R$ 5 bilhões provocado pelas operações com o Banco Master, o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, se reuniu nesta sexta-feira (6), com o diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan.
O diretor de Regulação do Banco Central ainda recebeu a chefe de gabinete do presidente do BRB, Marianna Garnier, o diretor executivo de Tecnologia do BRB, José Maria Corrêa Dias Júnior, o superintendente de Riscos Corporativos do BRB, Fernando Melo, e o secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias. A reunião ocorreu a portas fechadas.
Veja a nota do BRB logo abaixo
O banco solicitou um empréstimo junto a outras instituições financeiras, entre elas, bancos privados e o próprio FGC (Fundo Garantidor de Crédito), conforme divulgou a CNN Brasil.
Faz parte do plano ainda a venda de ativos, em especial, de carteira imobiliária. Desde o início da crise, o BRB já teria negociado pelo menos R$ 5 bilhões de ativos próprios.
A instituição financeira tenta ainda negociar os fundos de investimento que adquiriu do próprio Banco Master. Nos últimos dias, o presidente Nelson Souza esteve em São Paulo tentando vender os fundos.
No início desta semana, o BRB já havia enviado ao Banco Central um relatório com as informações preliminares obtidas por sua auditoria externa independente.
Em nota, o Banco de Brasília informou ter encontrado achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar.
O mesmo relatório foi enviado à Polícia Federal, a qual instaurou um inquérito para investigar se houve gestão fraudulenta do BRB nas operações de compra e venda de ativos do Master.
As investigações indicam que a fraude está estimada em R$ 12 bilhões em carteiras inexistentes de crédito compradas pelo BRB ao Banco Master.
Desse total, a instituição de Brasília conseguiu substituir ou liquidar ao menos R$ 10 bilhões.
O jogo do tigrinho
Suspeito de ter encabeçado a fabricação de uma carteira de crédito falsa de R$ 6,7 bilhões no esquema do Banco Master, o empresário André Felipe de Oliveira Seixas Maia é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por supostamente ter integrado um esquema em torno de plataforma ilegal de apostas como “jogo do tigrinho”, cassino online e apostas esportivas.
A carteira de créditos podres, que o Master vendeu para o BRB por R$ 12,2 bilhões, está no centro do escândalo que levou à liquidação do banco de Daniel Vorcaro em novembro.
Seixas Maia ficou preso por três dias em novembro, alvo da Operação Compliance. Ele é sócio das empresas Cartos e Tirreno, que, apontam a Polícia Federal e o Banco Central, teriam fabricado as carteiras de crédito falsas para o Banco Master, conforme informou o SBTNews.
Nota divulgada pelo Banco de Brasília
O BRB informa que entregou, na tarde de hoje, ao Banco Central, o Plano de Capital da instituição.
O documento foi entregue pelo presidente do Banco, Nelson Antônio de Souza. A reunião contou também com a participação do Secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, que reforçou o compromisso do Governo do Distrito Federal, acionista controlador do Banco, com as medidas apresentadas e com a solidez do Banco.
O documento entregue pelo BRB ao órgão regulador apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro.
O BRB destaca que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento.
Elaborado para garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações.
O Banco reafirma seu compromisso com a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades.
