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Resultado das eleições depende de duas questões

Economia produção industrial Misto Brasília

O Brasil é um importante fornecedor de aço para os Estados Unidos/Arquivo

A revista The Economist diz que a economia é prejudicada pela capacidade de grupos poderosos de arrancar benefícios de qualquer governo

Por Misto Brasil – DF

O resultado das eleições gerais brasileiras em outubro dependerá de duas questões: a criminalidade e o bolso dos eleitores, diz artigo da revista The Economist divulgado nesta semana.

A publicação citou como principais desafios a serem enfrentados a difícil situação fiscal, o avanço dos interesses de grupos poderosos, os excessos de benefícios aos servidores públicos e o complexo sistema tributário do país.

A revista destaca que presidente Lula da Silva tem apostado que a economia o levará à reeleição. Isso baseado num crescimento anual em torno de 3%, que superou as expectativas nos últimos três anos.

Além disso, a inflação anual está em 4,3% — insignificante para os padrões brasileiros – e o desemprego está em um nível recorde de baixa.

A revista destaca que o presidente Lula da Silva tem apostado que a economia o levará à reeleição, apoiado em um crescimento anual em torno de 3%, que superou as expectativas nos últimos três anos. Além disso, a inflação anual está em 4,3% — baixa para os padrões brasileiros — e o desemprego se encontra em nível recorde de baixa.

O artigo pondera, porém, que a oposição a Lula da Silva pinta um quadro mais sombrio. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, afirma que o país está em uma “crise fiscal”, relatou o InfoMoney.

Especialistas financeiros também alertam para uma recessão iminente. “Não estamos na unidade de terapia intensiva, mas estamos caminhando para isso”, disse à revista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

A The Economist questiona o quão doente está o “paciente Brasil”. A revista afirma que a dívida brasileira é insustentável na trajetória atual. Segundo o FMI, a dívida pública bruta do país chegará a 99% do PIB em 2030, bem acima dos 62% observados em 2010.

“A dívida atual é 30 pontos percentuais maior do que a taxa mediana entre os mercados emergentes e os pares latino-americanos do Brasil. O déficit nominal é de impressionantes 8,1% do PIB, composto quase inteiramente por pagamentos de juros. Os pessimistas estão certos ao prever problemas”, diz a revista.

É lembrado que Lula herdou, em janeiro de 2023, um superávit primário equivalente a 1,4% do PIB e um déficit total em torno de 4,5%. Em dezembro de 2025, porém, o governo já registrava um déficit primário de 0,4% do PIB.

Essa mudança de direção, argumenta a publicação, reduziu a confiança do mercado na capacidade do governo de conter a dívida. Isso obrigou o BC a manter os juros reais próximos de 10% — entre os mais altos do mundo —, o que sufoca o investimento privado e limita o crescimento. O Brasil investe apenas 17% do PIB, pouco mais da metade da taxa da Índia.

A revista defende que a economia também é prejudicada pela capacidade de grupos poderosos de arrancar benefícios de qualquer governo — muitos deles inscritos diretamente na Constituição.

“A possibilidade de o Brasil atingir seu potencial depende de os parlamentares eleitos em outubro terem coragem de enfrentar esses interesses arraigados”, diz a The Economist.

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