Uma guerra em larga escala entre os EUA e o Irã teria repercussões imediatas para os Estados vizinhos n Oriente Médio
Por Misto Brasil – DF
O Irã é considerado um ator fundamental no Oriente Médio devido à sua localização geopolítica em uma das rotas comerciais de energia mais importantes do mundo, o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, bem como às suas enormes reservas de petróleo e gás, ambições políticas e seu programa nuclear.
Embora os vizinhos árabes no Golfo Pérsico não sejam considerados aliados de Teerã, eles têm um forte interesse na estabilidade regional e em evitar uma escalada militar.
Uma guerra em larga escala entre os EUA e o Irã teria repercussões imediatas para os Estados vizinhos, mesmo que não levasse diretamente a uma mudança de regime.
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“Essas repercussões incluem um fornecimento instável de energia, insegurança crescente, pressão econômica significativa e o risco de uma escalada ainda maior de conflitos por procuração. Consequentemente, não se espera atualmente um amplo apoio a uma guerra em larga escala na região”.
Um ataque ao Irã acarretaria o risco de que Teerã retaliasse com ataques a bases militares americanas na região, que existem às dezenas nos países vizinhos.
O país, predominantemente xiita e com aproximadamente 93 milhões de habitantes, passou a ser palco de protestos em todo o seu território no início deste anos, inicialmente desencadeados pela crise econômica, que desde então se transformaram em uma revolta contra o governo em Teerã.
Oficialmente, o regime autoritário da República Islâmica culpa seus inimigos externos, particularmente os Estados Unidos e Israel, pelas manifestações.
No entanto, parece mais fácil para a liderança iraniana negociar com os EUA do que dialogar com sua própria população.
No domingo (11/01), por exemplo, o presidente Donald Trump anunciou que o Irã estava pronto para negociar com a Casa Branca – mas já na terça-feira seguinte disse ter cancelado reuniões com autoridades iranianas até que a morte de manifestantes fosse interrompida.
Desde a Revolução Islâmica de 1979 e a subsequente ocupação da embaixada americana em Teerã, o Irã e os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas.
A partir daí, as relações entre os dois países passaram a ser marcadas por antagonismo ideológico, sanções, tensões de segurança e disputas sobre o programa nuclear iraniano. Em junho de 2025, os americanos chegaram a atacar instalações nucleares do Irã.
Os EUA exigem que o Irã interrompa completamente o enriquecimento de urânio para seu programa nuclear. O Ocidente acusa Teerã de buscar secretamente o desenvolvimento de uma bomba atômica. O Irã nega, embora tenha recentemente enriquecido urânio a até 60%.
