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Quais as consequências para o Brasil com a guerra do Irã?

Irã ataque guerra Israel EUA Misto Brasil

Homens observam prédio destruído por ataques aéreos em Teerã/Reprodução/Rede social

O Brasil pode ser afetado por uma possível redução na oferta de petróleo. Especialistas comentam a situação do país

Por Misto Brasil – DF

O conflito desencadeado pela ofensiva de Israel e Estados Unidos ao Irã se espalhou pelo Oriente Médio. Com os ataques de retaliação do país persa a aliados de Washington na região, já são mais de uma dezena de nações atingidas – do Chipre, passando pelo Líbano, até o Kuwait.

Mesmo geograficamente distante do epicentro das operações militares, o Brasil dificilmente passará incólume pela guerra, que deverá gerar reflexos econômicos e políticos em todo o planeta.

Para analistas em política exterior consultados pela DW, a localização brasileira no globo terrestre, consideravelmente distante do Oriente Médio, torna extremamente improvável uma ofensiva no país ou mesmo na América Latina pelos atores envolvidos no conflito.

O Brasil pode ser afetado por uma possível redução na oferta de petróleo. Nessa segunda-feira (02), o comando da Guarda Revolucionária do Irã  anunciou que bloquearia o Estreito de Ormuz, gargalo entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde escoam cerca de 20% do combustível fóssil.

Na terça (03), o preço do petróleo Brent ultrapassou 80 dólares – e operadores do mercado não descartam que a commodity ultrapasse os 100 dólares em breve.

De acordo com a consultoria inglesa Capital Economics, cada 5% de alta nos preços de petróleo acrescenta cerca de 0,1 ponto percentual à inflação média nas principais economias mundiais. Desde o fim de semana, o Brent acumula cerca de 14% de valorização.

“Se a gente pensar na nossa cadeia logística, ela é majoritariamente rodoviária”, explica Karina Calandrin, professora de relações internacionais do Ibmec-SP.

Segundo ela, a alta na cotação do barril de petróleo pode gerar um aumento no diesel e, consequentemente, no preço do frete – atingindo o valor final da maioria dos produtos.

“O impacto [da guerra] é amplo e naturalmente vai se reverter em custos inflacionários. Não é simples antecipar o tipo de efeito em cascata que virá pela frente”, afirma Dawisson Belém Lopes, professor de política internacional e política comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Lopes tampouco descarta um efeito contrário: que o país se beneficie da situação justamente por ser um produtor de petróleo, estar numa região distante do Oriente Médio e praticar uma política diplomática universalista, com diálogo aberto tanto com os Estados Unidos quanto com o Irã.

O Brasil mantém relações sólidas com ambos os lados. Com os Estados Unidos, a parceria dura mais de 200 anos – e atritos recentes entre Lula e Trump foram contornados, com ambos os governantes reconstruindo uma relação a partir do segundo semestre do ano passado.

O Brasil também mantém laços comerciais e diplomáticos com o Irã, que recentemente passou a integrar o Brics+, bloco liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Para Karina Caladrin, do Ibmec-SP, a posição brasileira no conflito, mesmo com o histórico de neutralidade, merece certo cuidado.

“O risco agora recai sobre a imagem que o Brasil vai ter no exterior no que tange à aproximação ou não com o Irã“, diz ela, que lembra que, mesmo com a questão do tarifaço praticamente solucionada, as relações com os EUA “não estão das melhores”.

Caladrin lembra que o país passa por uma crise diplomática com Israel por causa dos conflitos em Gaza. No ano passado, ambos os países retiraram seus embaixadores.

AArábia Saudita, aliada da Casa Branca, é responsável por cerca de um quinto das importações brasileiras de petróleo bruto. (Texto da DW)

 

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