A possibilidade de delação voluntária do banqueiro Daniel Dantas coloca em polvorosa figuras iminentes da República brasileira
Por Genésio Araújo Júnior
João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém.
Lembrei do poema do grande Carlos Drummond de Andrade, nessa Brasília, na iminência de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, do Bancomaster. Não pelo amor, mas pelo fato que parece que todos se detestam.
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Lula que parecia amar o STF, agora quer que ele se vire. A PGR que amava o STF, agora duvida dele. A Polícia Federal que parecia amar todos eles, parece que os detesta.
O Centrão que usava os bolsonaristas, agora acha que está sendo usado. Davi Alcolumbre, amado pelos senadores bancados pelo orçamento secreto, agora é detestado. Hugo Mota parece odiado por petistas, bolsonaristas e centristas.
Parte do empresariado se acha detestado pelo Legislativo e a população, na tal escala seis por um, agora quer vingança.
Daniel Vorcaro, a cara da esperteza nacional, poderá virar o algós de velhos vilhões e de falsos heróis?
Ninguém está preparado para o que virá, mas se prepare, pois virá uma fase em que alguns vão tentar escapar do pior. A PF, com todas as informações dos celulares, vai aceitar delação?
Vorcaro vai deletar tudo que sabe ou que lhe interessa? Acaba aí o poema de Drummond. Começa um drama nacional.
