Foi o que disse na CPI do Crime Organizado o gestor de fundos Vladimir Timermann. “Vorcaro nem sabia o que estava acontecendo”
Por Misto Brasil – DF
O gestor de fundos Vladimir Timerman afirmou nesta quarta-feira (18), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, não era o verdadeiro responsável pelas decisões da instituição e que atuaria como um “pau-mandado” de outros nomes por trás do banco.
Segundo ele, o empresário Nelson Tanure estaria entre os principais envolvidos na estrutura de poder do negócio.
“O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia […] O meu sentimento é que [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara [do banco], para fazer as conexões políticas”, afirmou.
O depoimento ocorre no contexto das investigações sobre o esquema que levou à liquidação do Banco Master e aponta para a existência de uma estrutura mais ampla e, segundo o gestor, ainda não totalmente revelada.
Timerman também criticou a atuação de órgãos como Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Polícia Federal e Banco Central. Segundo Timerman, essas instituições teriam ignorado alertas feitos por ele desde 2019.
“Minhas denúncias acerca de Gafisa S.A. se iniciaram em 2019, até 2021. A Gafisa S.A. é o laboratório de tudo. O inquérito [na CVM] demorou 473 dias para ser aberto. O inquérito na polícia não anda. Acho que todo mundo falhou”, disse.
Segundo ele, as denúncias resultaram em retaliações, incluindo ações judiciais e ameaças.
O gestor afirmou ter sofrido “mais de 30 ações criminais e ameaças de morte”, além de pedidos de prisão.
