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Guerra reduz produção de hélio, essencial para chips

Gás natural tubulação Misto Brasília

O gás natural abastece indústrias e também residências/Arquivo/Petróleo e Gás

Embora haja hélio na atmosfera, a maior parte do hélio industrial provém de campos de gás natural e é separada durante o processamento

Por Misto Brasil – DF

Desde o início da guerra no Irã, as preocupações com o petróleo e o gás têm dominado as manchetes e gerado as maiores reclamações dos consumidores.

Mas outro gargalo na cadeia de suprimentos global está causando alarme: a escassez de hélio, componente essencial usado na fabricação de semicondutores – os minúsculos chips que ajudam a alimentar tudo, desde veículos elétricos a smartphones.

Embora haja hélio na atmosfera, a maior parte do hélio industrial provém de campos de gás natural e é separada durante o processamento, especialmente na extração de gás natural liquefeito (GNL).

Na prática, o hélio é um subproduto da produção de GNL, que é o negócio mais lucrativo.

Uma escassez prolongada de hélio pode levar à falta de chips avançados e ter efeitos em cadeia para os fabricantes de eletrônicos que dependem deles, ou forçar outros a reduzir seus planos de data centers.

Considerando que o hélio é incolor, inodoro e o segundo elemento mais leve do universo, ele tem uma lista surpreendente de aplicações, tanto em forma gasosa quanto líquida.

“É usado em áreas como ressonância magnética, fabricação de fibra óptica, soldagem, detecção de vazamentos e inflação de airbags, sem mencionar balões e dirigíveis”, elenca Phil Kornbluth, presidente da empresa Kornbluth Helium Consulting, com sede em Nova Jersey.

Mas é a indústria de chips semicondutores que está passando por momentos de grande preocupação neste momento.

O hélio de grau semicondutor é essencial para que os fabricantes de chips mantenham ambientes de produção ultralimpos e ultrafrios. Esse hélio livre de contaminantes também é necessário para a transferência de energia e calor, assim como em câmaras de vácuo.

Não existe alternativa ao hélio de altíssima pureza para esses processos de fabricação de chips e, sem ele, a produção será mais lenta ou até mesmo interrompida.

“O hélio é caro em comparação com outros gases, então, na maioria dos casos, onde existem substitutos para o hélio, ele deixa de ser usado”, disse Kornbluth, que tem mais de quatro décadas de experiência com hélio comercial.

Estima-se que existam 31,3 bilhões de metros cúbicos de hélio recuperável no subsolo mundial, de acordo com um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos publicado no início de 2026.

Os Estados Unidos possuem 8,49 bilhões de metros cúbicos de hélio recuperável, a Argélia possui 8,2 bilhões de metros cúbicos e a Rússia possui 6,8 bilhões de metros cúbicos.

O pequeno Catar possui 10,1 bilhões de metros cúbicos, a maior reserva do mundo, e produziu pouco mais de um terço do hélio mundial no ano passado.

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