A reforma visava separar as carreiras de juízes e promotores, atualmente agrupados na Itália sob o título de “magistrados”
Por Misto Brasil – DF
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, perdeu o referendo sobre sua controversa reforma judicial, que foi rejeitada por mais de 54% dos eleitores, com mais de dois terços dos votos apurados.
Segundo dados do Ministério do Interior divulgados nesta segunda-feira (23), o voto “sim” para a reforma obteve 45,98% dos votos, contra 54,02% para o “não”.
Membros proeminentes da oposição, como o líder do Movimento Cinco Estrelas, Giuseppe Conte, já comemoraram o resultado: “Conseguimos. Viva a Constituição!”, escreveu na rede social X.
“O resultado me parece claro: tivemos uma participação democrática muito alta e uma vitória clara e retumbante do ‘não'”, declarou o ex-primeiro-ministro em entrevista coletiva.
A secretária do Partido Democrático (PD) e líder opositora, Elly Schlein, anunciou que se pronunciará ainda nesta segunda-feira, e a maior central sindical do país, a CGIL, convocou uma manifestação na praça Barberini, no centro de Roma.
A reforma era o grande projeto do governo de Meloni e, embora tenha sido aprovada em outubro de 2025 pelo Parlamento como uma emenda constitucional que não obteve pelo menos dois terços dos votos, precisava ser ratificada em consulta popular.
Entre outros pontos, a reforma visava separar as carreiras de juízes e promotores, atualmente agrupados na Itália sob o título de “magistrados”, e dividir o Conselho Superior da Magistratura, órgão autônomo do Poder Judiciário, em dois, estabelecendo um sistema de sorteio como método de seleção de seus membros.
