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Novos números sobre os negócios BRB-Master

BRB Paulo Henrique Costa DF Misto Brasília

Paulo Henrique Costa foi o presidente do Banco de Brasília/Arquivo/Divulgação

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O banco estatal ampliou sua exposição e comprou mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Master após um alerta interno

Por Misto Brasil – DF

O Banco de Brasília (BRB) adquiriu ao menos R$ 30,4 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, mesmo após identificar indícios de irregularidades em parte desses ativos.

Os dados constam em planilhas obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e enviadas pelo próprio banco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Além desse volume, o BRB movimentou outros R$ 10,8 bilhões em operações classificadas como “substituições”, conforme investigação da Imprensa.

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Nesse modelo, o banco devolvia carteiras consideradas problemáticas, principalmente ligadas à Credcesta, e recebia novos ativos do Master. Parte relevante desses ativos substituídos também apresenta baixa qualidade, segundo as informações analisadas.

As aquisições começaram em 1º de julho de 2024 e envolveram diferentes modalidades de crédito, incluindo varejo, atacado, CDI, CRI e fundos. Ao longo do período, o BRB informou ter realizado 120 compras de carteiras de crédito de varejo.

A maior parte dessas operações envolveu empréstimos consignados da Credcesta, voltados principalmente a beneficiários do INSS, com desconto direto em folha. Também entraram no pacote carteiras de PIX Crédito, parcelamento de faturas e crédito rotativo.

No segmento de crédito atacado, os negócios envolveram principalmente Cédulas de Crédito Bancário (CCB), títulos que formalizam dívidas assumidas por empresas e pessoas físicas. Entre os nomes ligados a essas operações está o empresário Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.

Também foram realizadas 44 aquisições de instrumentos financeiros como Certificados de Depósito Interbancário CDI, Certificados de Recebíveis Imobiliários CRI e fundos diversos, que somaram R$ 8,1 bilhões.

Metade desse valor está associada a trocas de ativos considerados problemáticos, realizadas entre maio e o início de agosto de 2025.

Em março de 2025, o BRB já havia identificado que parte das carteiras adquiridas do Banco Master apresentava indícios de fraude. Mesmo assim, as operações não foram interrompidas.

O banco ampliou sua exposição e comprou mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Master após esse alerta interno.

Um novo alerta veio em setembro de 2025, quando o Banco Central negou a autorização para que o BRB adquirisse o controle do Banco Master. Ainda assim, após a decisão da autoridade monetária, o banco público do Distrito Federal transferiu mais R$ 1,9 bilhão à instituição.

As aquisições seguiram até outubro de 2025, cerca de um mês após a negativa do Banco Central e pouco antes do processo de liquidação do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.

Em fevereiro deste ano, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que buscava compradores para a carteira adquirida do Master.

Na ocasião, o conjunto de ativos que custou R$ 30,4 bilhões estava avaliado em R$ 21,9 bilhões, indicando uma diferença bilionária entre o valor pago e a estimativa de mercado.

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