De acordo com uma fonte da delegação iraniana, a primeira etapa das conversas foi concluída, e há expectativa de continuidade no domingo
Por Misto Brasil – DF
A rodada inicial de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã terminou no sábado sem um acordo definitivo, enquanto o conflito chegava à sua sétima semana.
De acordo com uma fonte da delegação iraniana, a primeira etapa das conversas foi concluída, e há expectativa de continuidade no domingo. Apesar de momentos de tensão nas horas finais, a avaliação é de que o diálogo segue em uma “boa posição”.
As tratativas aconteceram paralelamente à passagem de dois navios de guerra norte-americanos pelo Estreito de Ormuz, a primeira desde o início da guerra. O Comando Central dos EUA informou que a operação tinha como objetivo remover minas marítimas instaladas pelo Irã na região.
O diálogo trilateral tenta fortalecer um cessar-fogo de duas semanas iniciado na terça-feira, mas que enfrenta dificuldades, informou a CNBC.
O Irã segue restringindo grande parte do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o fluxo global de petróleo e gás, além de manter exigências prévias para avançar nas negociações.
Representando os Estados Unidos, o vice-presidente JD Vance se reuniu com a delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e discutiu com o Paquistão possíveis caminhos para sustentar o cessar-fogo.
O acordo, no entanto, permanece fragilizado por divergências profundas e pela continuidade dos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano, onde o número de mortos já ultrapassa 2.000, segundo autoridades locais.
O contato direto entre EUA e Irã tem sido raro desde a Revolução Islâmica de 1979. Um dos episódios mais recentes ocorreu em 2013, quando Barack Obama conversou por telefone com Hassan Rouhani sobre o programa nuclear iraniano.
Na mesma linha, reuniões de alto nível também ocorreram entre John Kerry e Mohammad Javad Zarif durante negociações anteriores.
Agora, as conversas contam com a presença de Vance, considerado cauteloso em relação ao conflito e com pouca experiência diplomática, e de Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, conhecido por declarações contundentes desde o início da guerra.
