O corte foi de 0,25 ponto percentual. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos
Por Welton Máximo – DF
Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela segunda vez seguida. Atualizado às 19h11
Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano.
A decisão era esperada pelo mercado financeiro.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação.
No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom.
O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.
Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Na terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por causa do falecimento de um parente de primeiro grau.
Repercussão da decisão
Presidente da Associação das Empresas de Loteamento de Desenvolvimento Urbano, Caio Portugal – “Em relação a redução da taxa básica de juros da economia para 14,5% ao ano era o esperado. O importante é a manutenção do ritmo de queda da taxa Selic, mais importante até do que o percentual de decresce.
Lógico, que os efeitos da guerra Estados Unidos-Israel contra o Irã já têm um impacto de potencial inflacionário para nosso setor, por conta dos oligopólios dos fornecedores de resinas, concreto usinado, ferro etc.
Thiago Aor, CFO da Cora – Minha leitura é de que o corte de 0,25 ponto marca uma continuidade do ciclo de flexibilização. Nesse contexto, o Banco Central sinaliza que segue priorizando a ancoragem das expectativas e a consolidação do processo de desinflação, mesmo com sinais de desaceleração da atividade.
Para pequenas e médias empresas, o impacto imediato tende a ser gradual. Apesar do início da queda da taxa básica, o custo do crédito ainda permanece elevado, o que mantém pressão sobre capital de giro e decisões de investimento. Em muitos casos, o ambiente ainda é de maior cautela, com foco na gestão de caixa.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg – A mensagem do Comitê seguiu muito parecida com a mensagem da reunião anterior, reforçando serenidade e cautela na condução da política monetária.
Os próximos passos do processo de calibração da taxa básica de juros deverão incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo. A decisão e o comunicado de hoje não afetam nossa visão sobre o cenário mais provável para a taxa de juros.
