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Japão adota “marombeiros” para cuidar de idosos

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Japoneses idosos se exercitam em praça pública/Arquivo/Mundo-nipo

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Jovens estão entrando em um setor marcado pela escassez de mão de obra em um dos países mais envelhecidos do mundo

Por Misto Brasil – DF

Com os músculos à mostra, o fisiculturista Takuya Usui acomoda uma mulher em sua cadeira de rodas em uma residência para pessoas com deficiência no Japão.

A cena ilustra como alguns jovens da Geração Z estão entrando em um setor marcado pela escassez de mão de obra em um dos países mais envelhecidos do mundo.

Durante anos, estereótipos de gênero e baixos salários afastaram muitos do trabalho de cuidados.

Empresas como a Visionary, com sede em Nagoya, têm adotado estratégias pouco convencionais de recrutamento para lidar com a crescente falta de profissionais no setor: atrair fisiculturistas oferecendo incentivos como tempo de academia remunerado ou subsídios para shakes de proteína.

“Antes eu não via nada de atraente nessa indústria”, diz Usui, ex-treinador de academia, à agência de notícias AFP.

Isso mudou depois de ouvir que “neste trabalho, eu poderia colocar meus músculos para trabalhar“. “Pensei: ‘Bom, vamos tentar’.”

Vestindo um colete preto sem mangas que destaca o bronzeado e os bíceps torneados, Usui levanta sem esforço Madoka Yamaguchi da cama. Ele dá o almoço à cadeirante, escova seus dentes e ajuda a aplicar colírios.

“Ele é tão musculoso que não me preocupo que possa me deixar cair acidentalmente”, comenta Yamaguchi, de 65 anos, que não consegue mover os membros. “Isso me dá tranquilidade”, de acordo com a DW.

No Japão, a necessidade de cuidar de ais doentes e outros familiares obriga cerca de 100 mil pessoas a deixar seus empregos todos os anos, segundo dados do governo. E a estimativa é que outras 300 mil conciliem a carreira profissional com o cuidado em casa até 2030.

“O fato de esses trabalhadores não conseguirem desenvolver plenamente seu potencial é uma perda enorme”, lamenta Niwa, acrescentando que a indústria do cuidado precisa se modernizar.

Nos últimos dois anos, Yamaguchi — usuária de cadeira de rodas que gosta de pintura e de trabalhos com contas — e o fisiculturista de elite Usui construíram uma amizade surpreendente.

“Madoka não consegue usar bem as mãos, mas usa a boca para controlar o pincel. Essa capacidade de improviso me inspira”, diz Usui, sorrindo para ela.

Ele reconhece que sua motivação inicial para o trabalho era ficar mais musculoso, mas diz que desde então aprendeu “que o cuidado é muito mais do que parece à primeira vista”.

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