O posicionamento estratégico dos dois países deram lugar à ideia de aprofundamento dos laços entre os dois países
Por Misto Brasil – DF
Os Estados Unidos e a China concordaram em aprofundar laços durante a cúpula realizada nesta quinta-feira (14) em Pequim.
Foi uma reunião de alto risco marcada por gestos cordiais entre dois países que vêm travando disputas há anos em temas que vão de propriedade intelectual e direitos humanos a tecnologia e comércio, informou a CNBC.
Cinco pontos principais, com base no relato divulgado pelo presidente chinês, Xi Jinping.
1. Novo posicionamento
Xi e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordaram em desenvolver uma “relação China-EUA construtiva de estabilidade estratégica”, de acordo com o comunicado oficial em inglês divulgado por Pequim sobre a cúpula.
Segundo ele, Pequim tratará essa diretriz como a estrutura orientadora para os próximos três anos e além.
O posicionamento estratégico seria liderado pela cooperação e por uma “competição moderada”, com diferenças administráveis, afirmou Xi, segundo o comunicado, ao destacar que essa estrutura precisa ser traduzida em ações concretas.
“Isso sinaliza um período de ‘estabilidade administrada’ que deve se manter por algum tempo”, disse Tianchen Xu, economista sênior da Economist Intelligence Unit. Embora as fricções devam persistir, “haverá um mecanismo de contenção, e a situação não sairá do controle das duas partes como quase ocorreu em 2025”.
2. Reunião preparatória: ‘equilibrada e positiva’
Os enviados comerciais dos dois países alcançaram “resultados gerais equilibrados e positivos” na reunião preparatória realizada na Coreia do Sul na quarta-feira, segundo Xi.
A delegação foi liderada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng.
“Ambos os lados devem trabalhar juntos para preservar esse impulso positivo conquistado com esforço”, afirmou Xi. Pequim acolhe um maior engajamento comercial dos Estados Unidos, disse ele, acrescentando que “a porta da China para a abertura só se abrirá ainda mais”.
Os comentários foram feitos no momento em que uma dúzia de líderes empresariais de algumas das maiores companhias americanas acompanharam a visita de Trump, incluindo Elon Musk, da Tesla, e Jensen Huang, da Nvidia.
3. Aprofundamento da cooperação
Ambos os lados devem fazer melhor uso dos canais de comunicação diplomáticos e militares, afirmou Xi. Ele também defendeu maior cooperação nas áreas econômica e comercial, na agricultura e no turismo.
4. Taiwan: ‘questão mais importante’
Xi reservou sua linguagem mais contundente para Taiwan, classificando o tema como “a questão mais importante nas relações entre EUA e China”.
Segundo ele, o risco não poderia ser maior: “se for bem conduzida, a relação se mantém; se for mal conduzida, os dois países correm o risco de colisão ou conflito”.
5. Outros temas
Os dois lados também discutiram o conflito no Oriente Médio, a crise na Ucrânia e a situação na Península Coreana, de acordo com o comunicado, que não forneceu mais detalhes.
