Xi recebeu um Trump fragilizado pelos sucessivos fracassos externos e uma política doméstica que corrói sua popularidade
Por Marcelo Rech – DF
Nos dias 14 e 15 de maio, uma aguardada cúpula realizada em Pequim, reuniu os líderes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping.
Em torno desse encontro, muita expectativa e excesso nos adjetivos, mas o fato concreto é que o encontro não produziu nada. Muita retórica, mas nenhuma decisão objetiva.
Pelo menos em relação ao que se construiu previamente. Xi recebeu um Trump fragilizado pelos sucessivos fracassos externos e uma política doméstica que corrói sua popularidade. No entanto, também ele teve de medir as palavras. A China pode muito, mas não pode tudo.
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O mundo ficou em compasso de espera. Muitos acreditavam que uma nova ordem internacional nasceria da química entre os mandachuvas, mas não foi isso que a realidade revelou. Quando os fatos se impõem, narrativas acabam sufocando.
Os EUA ainda são uma superpotência, mesmo que o PCCh insista em vinculá-lo com declínio. E a China não é isso tudo que Pequim tenta vender ao impor o seu modelo autoritário.
Os dois países saem mais fracos desse encontro e o mundo, sem qualquer diretriz capaz de pôr as coisas nos eixos. As alianças continuarão sendo firmadas com base na conveniência. Aliados e inimigos, são a face da mesma moeda.
Trump tem pouco tempo para impor a ordem que julga necessária e Xi, mesmo perpetuando-se no poder, não terá energia para esperar muito. O restante, como Putin e o Oriente Médio, que tratem de cuidar dos seus interesses. E o resto, bom, o resto é o resto.
Tudo indica que os conflitos atuais seguirão seu curso, com oscilações aqui e acolá, mas sem um horizonte concreto em torno de paz e estabilidade.
Pequim revelou que a distância entre o que desejam os líderes políticos é enorme em relação ao que anseiam as pessoas. Não há conexão entre as duas pontas.
Vemos isso em todos os cantos, onde os interesses políticos se sobrepõem às necessidades urgentes de reforma de uma estrutura que não serve para nada, ainda que custe os olhos da cara. A ordem internacional seguirá, assim, refém dos humores de cada dia, para a desgraça de todos.
