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Mapeamento revelou 1,1 mil espécies desconhecidas

Oceano gaivotaMisto Brasília

Os oceanos estão sendo poluídos, embora sejam importantes ecossistemas que devem ser preservados/Arquivo/Orla Rio

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Entre as novas espécies nos oceanos, que ampliou em 54% o número de identificações, estão um verme que vive em um “castelo de vidro”

Por Misto Brasil – DF

Reunindo mais de mil pesquisadores em 85 países, o esforço científico global dedicado a descobrir, registrar e acelerar o mapeamento da biodiversidade marinha conhecido como Ocean Census, revelou 1.121 espécies antes desconhecidas.

Entre as novas espécies catalogadas que ampliou em 54% o número anual de identificações, estão um verme que vive em um “castelo de vidro”, um raro “tubarão‑fantasma” e uma esponja carnívora apelidada de “bola da morte”.

O oceano continua sendo um dos ecossistemas menos explorados do planeta, especialmente as grandes profundezas, antes consideradas inóspitas.

Mas expedições recentes mostram ambientes repletos de formas de vida incomuns e, por vezes, bizarras, revelando um mundo ainda amplamente desconhecido.

Esses ecossistemas enfrentam pressões crescentes das mudanças climáticas, do aquecimento das águas e da poluição industrial e agrícola. A iminente mineração submarina adiciona um novo risco, aumentando a urgência de documentar espécies antes que desapareçam.

Entre as descobertas, está um verme poliqueta encontrado a 800 metros de profundidade no Japão, vivendo dentro de uma esponja de vidro com esqueleto translúcido.

A relação simbiótica beneficia ambos: o verme ganha abrigo e a esponja tem sua superfície limpa de detritos.

Na Austrália, pesquisadores identificaram uma nova espécie de quimera, o chamado “tubarão‑fantasma”, parente distante de tubarões e raias que divergiu há cerca de 400 milhões de anos.

Em Timor‑Leste, um verme‑fita laranja de 2,5 centímetros chamou atenção por suas potentes toxinas, estudadas como possíveis tratamentos para Alzheimer e esquizofrenia.

A quase 3.650 metros de profundidade, na Fossa Norte das Ilhas Sandwich do Sul, surgiu a esponja carnívora “bola da morte”, coberta por ganchos microscópicos que capturam crustáceos antes de envolvê‑los e digeri‑los.

O Ocean Census lembra que a descrição formal de uma espécie leva, em média, 13,5 anos.

Para acelerar o processo, o projeto passou a registrar imediatamente o status de “descoberta” em um banco de dados aberto, tornando as espécies visíveis para a comunidade científica e formuladores de políticas.

A iniciativa defende que conhecer a biodiversidade marinha é essencial para protegê‑la.

Como afirmou o diretor Ocean Census, Oliver Steeds, à mídia norte-americana, “gastamos bilhões procurando vida em outros mundos, mas descobrir a vida do nosso próprio oceano custa uma fração disso”.

 

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