Há um enorme cansaço da sociedade com os extremos, além de uma enorme frustração por não haver uma candidatura competitiva de centro
Por Marcelo Rech – DF
A América do Sul está passando por um processo político que poderá resultar em um novo giro à direita, culminando com a eleição de outubro no Brasil. Recentemente, Bolívia, Chile e Equador, deram uma guinada à direita após muitos anos de governos de esquerda, principalmente na Bolívia.
Argentina e Paraguai já contam com governos de direita, enquanto o Uruguai é governado pela esquerda e a Venezuela, pelos EUA.
O atual processo tem sido marcado pela polarização e violência.
A Bolívia, por exemplo, está sumida no caos provocado pelos radicais liderados pelo ex-presidente Evo Morales, atrincheirado nas montanhas e com ordem de captura. Morales, financiando pelo Foro de São Paulo, está colapsando o país em nome de um projeto de poder que ele mesmo liderou por duas décadas.
A Colômbia vai pelo mesmo caminho. Hoje governada por um ex-guerrilheiro, o país voltou a registrar índices de violência política extremos. Assassinatos, emboscadas, sequestros. Tudo o que o país vivenciou nos anos 80, está de volta.
No Peru, a corrida eleitoral reúne, mais uma vez, a direitista Keiko Fujimori, que está em sua 4ª tentativa de chegar ao poder, e um candidato de extrema-esquerda, Roberto Sánchez.
O país vive uma instabilidade política que dura mais de uma década. Foram oito presidentes em 10 anos. Desse total, 4 foram presos por corrupção e um se suicidou para evitar a pressão.
O ciclo conclui com as eleições no Brasil, em outubro. A exemplo dos demais, o processo eleitoral brasileiro também é marcado pela forte polarização entre direita e esquerda.
Também à exemplo dos vizinhos, há um enorme cansaço da sociedade com os extremos, além de uma enorme frustração por não haver uma candidatura competitiva de centro. Pelo menos é o que indicam as pesquisas mais confiáveis.
E este cenário regional é monitorado e acompanhado de perto pelas grandes potências. EUA, China, Rússia e União Europeia, por razões distintas, têm grande interesse na conclusão deste ciclo.
Para Washington, a eleição de candidatos conservadores, de direita, é fundamental para frear a expansão predatória da China na América do Sul; para a China, é exatamente o contrário: a eleição de candidatos de esquerda lhe beneficia e aos seus negócios, embora Pequim seja mais pragmática ao conversar com todos os espectros.
Em guerra há 4 anos, a Rússia tem outras prioridades, embora governos simpáticos a Moscou sejam sempre bem-vindos. E para a União Europeia, trata-se de vislumbrar parcerias e cooperação que reduzam sua dependência tanto de Washington quanto de Pequim.
Neste sentido, nunca é demais recordar que a América do Sul concentra algumas das principais reservas de minerais críticos do planeta, muito petróleo e gás natural, além de água doce em abundância e uma biodiversidade que os outros já não têm há décadas.
