O lançamento do Ferrari Luce provocou críticas nas redes sociais, mas a empresa não tomou conhecimento do ruído
Por Misto Brasil – DF
A mais famosa fabricante de automóveis da Itália revelou na segunda-feira o Ferrari Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico e, com um preço de € 550.000 (de R$ 3.218.260,65), um dos veículos elétricos mais caros do mercado.
O presidente da Ferrari, John Elkann, considerou o carro digno de uma visita ao Palácio do Quirinal na terça-feira, onde o apresentou ao presidente italiano Sergio Mattarella.
As redes sociais não ficaram impressionadas.
Nos dias que se seguiram à apresentação, o Luce — que significa “luz” em italiano e foi projetado em colaboração com o ex-chefe de design da Apple, Jony Ive — foi comparado online a um Nissan Leaf e a um Toyota de baixo custo.
“O novo Ferrari Luce parece menos um supercarro e mais um Nissan ou Toyota de baixo custo”, dizia uma publicação que viralizou . As ações da Ferrari caíram até 7,8% nas negociações em Milão.
Carlo Calenda, ex-ministro da Indústria italiano que trabalhou na Ferrari, chamou o Luce de “um insulto estético e tecnológico a qualquer pessoa que ame a Ferrari” e aproveitou o momento para emitir um veredicto contundente sobre o trabalho de John Elkann.
Elkann, que preside tanto a Ferrari quanto a holding Exor, da família Agnelli, tem sido responsável pelo desmantelamento gradual do patrimônio industrial da Itália, argumenta Calenda.
A fabricante de autopeças Magneti Marelli foi vendida para uma empresa de private equity e agora está em processo de recuperação judicial (Chapter 11).
A unidade de robótica Comau foi desmembrada em 2024 e a fabricante de caminhões Iveco está sendo desmembrada.
A Ferrari, por sua vez, permanece impassível diante do ruído — online ou de qualquer outra forma.
“A Ferrari Luce não é uma resposta à mudança”, disse Elkann aos jornalistas no lançamento em Roma. “É uma decisão, uma decisão deliberada, de liderar o que está por vir com clareza e coragem”. (Texto da Euronews)
