Na audiência realizada na Comissão de Economia, os assessores disseram que nunca imaginaram que a situação fosse tão difícil
Por Misto Brasília – DF
O governo distrital confirmou durante audiência na Câmara Legislativa que o déficit financeiro é de R$ 1,9 bilhão. O número foi apresentado durante uma audiência na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças.
As metas fiscais apresentadas apontam, no entanto, para um superávit de R$ 1,8 bilhão nas despesas líquidas.
Os números foram apresentados pelo secretário executivo de Finanças, Orçamento e Planejamento, Ailton Ferreira Cavalcante. Ele admitiu que a nova gestão da Secretaria da Economia se deparou, em abril, com um cenário econômico era “assustador”.
“Nunca poderia pensar que a situação fosse tão difícil, mas nada que não se possa resolver com muito trabalho, dedicação, disciplina e responsabilidade fiscal. É um déficit de R$ 1,9 bilhão, mas se nada fosse feito poderia chegar a R$ 5 bilhões”.
O subsecretário do Tesouro, José Luiz Barreto, afirmou, ainda, que os indicadores eram preocupantes e poderiam levar o GDF a sofrer restrições em operações de crédito e à impossibilidade de novos reajustes salariais.
A meta estabelecida é atingir 5% da Receita Corrente Líquida (RCL) em caixa até 31 de dezembro de 2026, sem comprometimento com restos a pagar.
Segundo a equipe econômica, o modelo anterior, baseado em cotas orçamentárias sem lastro financeiro, gerava compromissos acima da receita.
A nova governança corporativa, aliada ao foco na qualidade do gasto público, foi apontada como essencial para a sustentabilidade fiscal.
No primeiro quadrimestre de 2026, o Distrito Federal arrecadou R$ 13,4 bilhões e registrou despesas liquidadas de R$ 11,6 bilhões, segundo o governo distrito, conforme registrou a Agência CLDF.
Considerando as despesas empenhadas, o valor chega a R$ 15,3 bilhões. Barreto também ressaltou o desempenho da arrecadação do ICMS.
“Tivemos acréscimo de 11% na arrecadação do ICMS no primeiro quadrimestre”. O imposto representa 46,4% da arrecadação do DF.
Outro destaque foi o resultado primário — diferença entre receitas e despesas do governo, excluídos os gastos com juros da dívida —, que atingiu R$ 373,5 milhões, superando a meta de déficit de R$ 1,5 bilhão. Já o resultado nominal foi de R$ 862,3 milhões, frente a uma meta negativa de R$ 1,7 bilhão.
Outro ponto positivo foram as despesas com pessoal, que ficaram em 40,45% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite de 46,5% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ainda assim,
Barreto chamou atenção para o crescimento desses gastos.
“O aumento de 15,46% na despesa bruta com pessoal é alto, com ênfase nos aposentados, categoria em que houve aumento de 20,06% nos recursos gastos. Houve nomeações de quase 26 mil servidores desde 2023, o que impacta os limites da LRF e também no Iprev e no Inas”, disse o subsecretário.
