Embora a medida tenha aumentado a percepção de risco, a maior parte da pauta exportadora permaneceu fora da nova taxação
Por Misto Brasil – DF
O impacto da proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros tende a ser mais setorial do que macroeconômico, afirmou o economista da MAG Investimentos, Rafael Rondinelli, em entrevista nesta quarta-feira (3) ao Times Brasil.
Segundo ele, embora a medida tenha aumentado a percepção de risco dos investidores, a maior parte da pauta exportadora brasileira para o mercado americano permaneceu fora da nova taxação.
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“O impacto macroeconômico na economia brasileira tende a ser limitado”.
Para ele, o principal efeito da medida é a pressão sobre segmentos diretamente atingidos pelas tarifas, enquanto o conjunto da economia deve sentir efeitos mais moderados.
Ao comentar o comportamento dos ativos financeiros, o economista observou que a reação inicial dos mercados foi relativamente contida, mas ganhou força à medida que investidores passaram a avaliar o alcance das novas medidas comerciais anunciadas por Washington.
“Ontem o mercado não deu muita bola para esse novo tarifaço, mas hoje isso vem batendo um pouco mais forte”.
Segundo ele, o anúncio ocorre em um contexto internacional mais delicado e faz parte de uma estratégia americana para reconstruir barreiras comerciais após parte das tarifas anteriores ter sido derrubada pela Justiça dos Estados Unidos.
Na avaliação do economista, os novos estudos conduzidos pelo governo americano serviram para criar uma base jurídica mais sólida para futuras restrições comerciais.
“Parece uma tentativa de recomposição das tarifas implementadas no ano passado e que foram derrubadas pela Suprema Corte”.
Rondinelli destacou que uma parcela relevante das exportações brasileiras ficou protegida das novas tarifas por envolver produtos considerados estratégicos para os Estados Unidos. Entre eles estão carne, frutas, petróleo, derivados de petróleo e aeronaves.
“Grande parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos continua blindada e ficou de fora dessa tarifa”.
Segundo ele, apenas cerca de 25% dos produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano foram diretamente atingidos pela nova proposta tarifária.
