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100 dias da guerra no Oriente Médio impactou a economia

Ataque EUA contra o Irã Misto Brasil

Bombeiros fazem o serviço de emergência após os ataques contra o Irã/Reprodução/Vídeo/BBC

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Os dados econômicos registram o impacto além dos mercados financeiros. Países adotaram intervenções diretas para conter a alta de preços

Por Misto Brasil – DF

Cem dias após o início da guerra no Oriente Médio, os mercados financeiros globais seguem sob pressão direta do conflito. Petróleo, títulos soberanos, inflação e câmbio acumulam distorções que analistas descrevem como as mais persistentes desde a crise financeira de 2008.

A guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã ainda não tem prazo para terminar.

Wall Street surpreendeu. Apesar do conflito, o S&P 500 atingiu novos recordes desde o início das operações militares, sustentado pelo otimismo em torno da inteligência artificial e pela resiliência dos lucros corporativos americanos.

“Os mercados de ações subiram com força, mas liderados pelas empresas americanas e asiáticas vistas como beneficiárias diretas dos investimentos em IA”, disse Iain Barnes, diretor de investimentos da Netwealth.

O desempenho das bolsas europeias foi bem mais discreto. O aumento dos custos de energia pesa de forma mais direta sobre as economias do continente, que dependem de importações para abastecer a indústria e os serviços.

Os dados econômicos registram o impacto da guerra além dos mercados financeiros. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor chegou a 3,8% em abril, a taxa anual mais alta em quase três anos.

O petróleo caro encarece gasolina, querosene de aviação e gás — insumos que atravessam toda a cadeia de consumo.

Outros países adotaram intervenções diretas para conter a alta de preços. Alemanha e Índia anunciaram medidas específicas para amortecer o choque energético sobre a população.

Paul Surguy, diretor-executivo do Kingswood Group, questionou se os mercados desenvolveram uma “indiferença coletiva à guerra global”. Para ele, a combinação de gastos militares em alta e suporte popular ao conflito em queda indica que “ambos os lados buscam uma saída que preserve a imagem”.

É esse cálculo, segundo Surguy, que molda as perspectivas de longo prazo para o petróleo.

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