Acordo com o FGC alivia riscos imediatos, mas professor alerta que recuperação depende de balanços confiáveis e auditoria
Por Misto Brasil – DF
O recente acordo firmado para viabilizar apoio financeiro ao Banco de Brasília (BRB) representa uma resposta relevante para conter riscos imediatos, mas a recuperação sustentável da instituição dependerá de reformas profundas em sua estrutura de controle.
A análise é de Fabio Coimbra, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e ex-técnico do Banco Central.
A operação de socorro foi estruturada a partir de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para atender às exigências prudenciais do Banco Central.
O empréstimo será concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sem a utilização direta de recursos do Tesouro Nacional.
Segundo Coimbra, que atuou por 21 anos no Banco Central, o aporte emergencial estabiliza o cenário de curto prazo, mas não resolve os problemas estruturais. “A principal questão não se limita à disponibilidade de recursos.
Em crises bancárias, é preciso avaliar se houve reconhecimento adequado de perdas, provisões suficientes e capital compatível com os riscos assumidos”, destaca.
O especialista pondera que arranjos financeiros e regras de compliance não substituem balanços confiáveis, auditorias autônomas e uma gestão de riscos verdadeiramente independente.
Para ele, o Conselho de Administração e os comitês de auditoria e riscos do BRB terão papel fundamental na supervisão e na devolução da transparência ao mercado.
A experiência internacional aponta que a reconstrução da credibilidade de uma instituição financeira exige uma combinação indissociável de soluções financeiras, prudenciais e de governança.
“Sem estruturas capazes de assegurar que os controles internos funcionem de forma efetiva, a confiança tende a permanecer fragilizada”, conclui o professor.
