Esta é a terceira vez consecutiva que o comitê reduz os juros. O Copom apontou a permanência de incertezas na economia
Por Misto Brasil – DF
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (17) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, que passará de 14,50% para 14,25% ao ano.
Esta é a terceira vez consecutiva que o comitê reduz os juros.
O Copom apontou a permanência de incertezas sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos como determinantes para a decisão de cortar a taxa de juros.
O BC utiliza a Selic, os juros básicos da economia, como um instrumento para reduzir o ritmo da atividade econômica e, com isso, tentar controlar a inflação.
O que dizem os especialistas
Carlos Lopes, economista do BV – “Uma avaliação sobre a decisão do Copom, acho que como esperado, o Copom decidiu por um corte de 0,25%, embora fosse a aposta majoritária dos economistas, inclusive a nossa (do banco BV), havia uma expectativa de que o Banco Central pudesse decidir por uma pausa nesse momento, não foi o caso, eles optaram por um corte de 0,25%.
“Embora no documento, no comunicado, o Banco Central reconheça diversos pontos de piora no cenário, então um cenário externo mais incerto, com materialização já de alguns impactos, no ambiente doméstico uma atividade mais forte, uma inflação também mais elevada, uma projeção de inflação mais elevada para o final do horizonte e no final de 27 a 3,70, ou seja, uma inflação que nas projeções do Banco Central não convergem para a meta”.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg – “Se o BC colocasse a taxa básica no nível necessário para trazer a inflação para a meta no final de 2027, ela já estaria abaixo da meta no início de 2028”.
“Na nossa visão, apesar da piora do cenário inflacionário, o BC deverá cortar novamente a tava básica de juros no encontro de agosto, levando a Selic para 14,00% a.a.”
“Olhando mais adiante, a taxa terminal do clico de calibração dependerá, em grande medida, da evolução das expectativas da pesquisa Focus”.
“Se pararem de piorar, o Copom poderá estender o ciclo. Caso contrário, provavelmente será forçado a interromper o processo. Nosso cenário base contempla o BC parando no nível de 14,00% e voltando a cortar no final de 2026, com a taxa Selic terminando o ano em 13,50% a.a.”
“Mas a despeito disso, desse diagnóstico que o Banco Central faz, ele realizou o corte de juros, como a gente imaginava, e diz que, para futuro, quando faz as simulações e assim por diante, dado que o grau de aperto atualmente é bastante intenso, ele teria espaço para seguir com a flexibilização da política monetária”.
“Então, um ponto que chama a atenção, que já era nosso cenário base, que a gente tinha muita dúvida em como que o Banco Central comunicaria isso, é a piora do cenário, mas mesmo assim com espaço para uma flexibilização”.
“E a forma com que o Banco Central encontrou foi esse destaque, falando das simulações e estendendo horizonte relevante paro primeiro trimestre de 2028”.
Murilo Arjona, Especialista em financiamento imobiliário – avalia que a decisão precisa ser analisada para além do número isolado.
Segundo ele, a redução de 0,25 ponto percentual pode parecer pequena, mas reforça uma direção positiva para o setor imobiliário.
Mesmo que a Selic termine o ano em patamar mais alto do que o mercado esperava meses atrás, o movimento de queda tende a beneficiar bancos, investidores e compradores.
