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O que podemos esperar da 56ª Assembleia Geral da OEA?

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Detalhe da Casa das Américas, a poucos quarteirões da Casa Branca, em Whashington/Arquivo/Divulgação

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A Assembleia Geral da OEA será realizada entre segunda e quarta, na Cidade do Panamá, promete ser nada mais que uma armadilha

Por Helena Paz – Bolívia

Foi nessa época que o laureado chileno com o Prêmio Nobel, Pablo Neruda, declarou a jornalistas argentinos: “O que vou fazer na Organização dos Estados Americanos, tão antiquada e ultrapassada? A OEA precisa mudar porque o mundo muda e nós acreditamos em uma organização baseada na igualdade, mas sem excluir ninguém.”

De fato, os anos se passaram e a OEA continuou, tornando-se ainda mais antiquada e obsoleta, ainda mais excludente, chegando a ser alvo de ridículo pelos povos do hemisfério.

Isso porque a OEA nasceu morta. Fundada em Washington, D.C., em 1948, foi fruto da Guerra Fria e do Macartismo, neta da Conferência Internacional dos Estados Americanos de 1889 e da Comissão Monetária Internacional de 1891, cuja verdadeira natureza foi exposta pelo cubano José Martí; e, sobretudo, bisneta da Doutrina Monroe e do expansionismo das 13 colônias durante os séculos XVIII, XIX e XX. Um produto do imperialismo ianque!

Mais pistas sobre a missão deles? A Casa das Américas, sede da OEA, cujo nome é enganoso, fica a apenas 500 metros do Salão Oval, o gabinete do atual imperador.

E a burocracia da agência será financiada este ano com um orçamento alocado de 93 milhões de dólares, dos quais exatamente metade virá do governo Trump. Tutela pura e simples, não é? Dependência vergonhosa!

Sua história de vida nefasta é ainda mais decepcionante para a América Latina e o Caribe. Suas “páginas gloriosas” estão repletas de seu apoio à derrubada de Árbenz pela CIA na Guatemala em 1954, à invasão mercenária de Cuba em 1961, à invasão americana da República Dominicana em 1965, de Granada em 1983, do Panamá em 1989 e da Venezuela em 2026; aos golpes de Estado civis-militares das décadas de 1960 a 1980 em todo o continente e à Operação Condor no Cone Sul; à sua intervenção eleitoral desestabilizadora e reacionária em Honduras em 2009 e 2025, no Equador em 2025, na Bolívia em 2019 e no Peru e na Colômbia em 2026. Em suma, com seu apoio inquestionável a todos os processos antidemocráticos que visam restringir a liberdade das sociedades americanas.

Mas as ações da OEA, como vimos na Bolívia, não se limitam à mera contemplação ou apoio; ficou claro que, em outubro e novembro de 2019, ela foi a principal e decisiva participante do golpe contra o presidente Evo Morales, que culminou em três massacres que tiraram a vida de 36 cidadãos pelas mãos do Exército.

Os padrões duplos da OEA são repugnantes, assim como seu passado e presente. Hoje, eles são definidos por seus laços estreitos com o governo Trump, cujo desempenho em seu segundo mandato não deixa margem para dúvidas.

A posição de Trump, conforme declarada após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, com a presumida cumplicidade das autoridades venezuelanas, é: “Fazemos o que queremos no hemisfério, porque ele pertence aos Estados Unidos.”

Nesse sentido, ele insistiu em mais de uma ocasião que seu mandato visa revitalizar a Doutrina Monroe, atualizando-a para o século XXI e denominando-a “Donroe”. Isso inevitavelmente molda as relações internacionais dos países da América Latina e do Caribe.

Os exemplos não faltam

É claro que o intervencionismo ianque, novinho em folha e descarado, busca se camuflar com as aparências de: 1) segurança regional; 2) combate ao narcotráfico; 3) segurança cibernética; e 4) proteção de infraestrutura crítica.

E para esse fim, em março, a partir de Miami, a capital do terrorismo ocidental, foi oficialmente lançada a farsa da plataforma de integração interamericana, Escudo das Américas, composta pelos Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Com o apoio total da OEA. Uma verdadeira organização terrorista internacional!

Os Estados Unidos tomaram pelo menos três medidas nos últimos dias para demonstrar sua força na região. Todas elas ameaçam a soberania dos países onde começam a estabelecer presença e são realizadas em associação com a OEA.

O primeiro desses exercícios, “Atlantic Dagger” e “PASSEX”, foi realizado com as Forças Armadas Argentinas, começando em 21 de abril e continuando até 12 de junho.

Esses exercícios envolveram mais de 500 membros das forças especiais e unidades de elite dos EUA, que foram destacados para a VIII Brigada Aérea em Moreno e para a Base Naval de Puerto Belgrano, a Base Naval de Mar del Plata (todas as três na província de Buenos Aires), a Guarnição Militar de Córdoba e a Base Naval de Ushuaia “Almirante Berisso”.

Também participaram o porta-aviões nuclear USS Nimitz e o destróier de mísseis guiados USS Gridley, ambos da Marinha dos EUA.

A maior controvérsia em torno dessas atividades aparentemente rotineiras? O fato de o presidente Javier Milei ter violado abertamente a Constituição ao permitir a presença militar estrangeira no país por meio de um Decreto de Emergência; uma prerrogativa única, exclusiva e intransferível do Poder Legislativo.

A segunda operação, novamente sob o pretexto de “combate às drogas”, infelizmente ocorreu no estado de Bolívar, no sul da Venezuela, quando, em 12 de junho, forças do Comando Sul, em coordenação com autoridades do governo de Delcy Rodríguez, assassinaram extrajudicialmente o líder da quadrilha Tren de Aragua, “El Niño Guerrero”. Este foi o segundo bombardeio em território venezuelano realizado pelos Estados Unidos neste ano.

A terceira e última, na quinta-feira, 18 de junho, corresponde à “luz verde” do presidente equatoriano, Daniel Noboa, que também por decreto autoriza o destacamento de fuzileiros navais em território nacional, garantindo-lhes antecipadamente imunidade judicial por qualquer crime que possam cometer.

O decreto declara: “O pessoal estrangeiro de Estados cooperantes que participe em ações realizadas no âmbito do conflito armado interno gozará de imunidade, em conformidade com os instrumentos e acordos internacionais aplicáveis ​​assinados.”

Enquanto o próprio Noboa declarou: “…o resultado de meses de trabalho, especialmente com a última reunião no Pentágono.”

O argumento do Palácio Carondelet? A luta contra o narcoterrorismo e o crime organizado.

Império sufoca o continente

Numa demonstração raramente vista de arrogância imperial, o império também se concentra em sufocar seus aliados para tomar o controle do continente. Dois exemplos bastam.

Em abril passado, os Estados Unidos forçaram o governo peruano a assinar um contrato com a empresa americana Lockheed Martin, com base no Acordo-Quadro do Programa de Compensação Social e Industrial, para a aquisição de 12 caças F-16 Block 70 para a Força Aérea Peruana, com um valor inicial de 1,54 bilhão de dólares.

Durante o mesmo período, o governo argentino teve que comprar 24 caças supersônicos F-16 Fighting Falcon A/B da Dinamarca, fabricados nos Estados Unidos, por um valor aproximado de 600 milhões de dólares.

A Casa Rosada teve que desembolsar mais 33 milhões de dólares para a empresa Top Aces Corp., de Mesa, Arizona, que foi contratada para treinar pilotos instrutores de F-16 até 2029.

É claro que o prêmio final tanto para a Casa Branca quanto para a OEA – cujos objetivos são os mesmos – só pode ser a queda da Revolução Cubana, seja por meio de genocídio, guerra, massacre da população civil ou alguma outra tragédia.

Em março, o magnata presidente alertou: “Toda a minha vida ouvi falar de Cuba e dos Estados Unidos. Quando é que os Estados Unidos iam fazer isso? Acho que terei… a honra de tomar Cuba. Seja libertando-a, tomando-a — acho que posso fazer o que quiser com ela, para dizer a verdade. —. Eles são uma nação muito enfraquecida neste momento.”

Palavras ameaçadoras que o Secretário-Geral da OEA, Albert Ramdin, do Suriname, como era de esperar, ignorou e não rejeitou.

Em resumo, a próxima Assembleia Geral da OEA, que será realizada de 22 a 24 de junho no Centro de Convenções Atlapa, na Cidade do Panamá, promete ser nada mais que uma armadilha mortal para os países participantes. É o ápice da subordinação política e econômica.

Como disse o ex-secretário de Estado e gênio do mal Henry Kissinger: “Ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, mas ser amigo é fatal.”

Quem se atreverá a saltar do precipício, dando crédito e apoio a tudo o que possa emanar desse conclave obscuro?

(Helena Paz é cientista política na Bolívia. Texto original publicado no La Época)

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