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Ideologia agrícola: negócios com a China, coração nos EUA

Soja rally da safra Misto Brasil

Técnico avaliam a qualidade da soja numa propriedade rural/Arquivo/Eduardo Monteiro/Divulgação

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Estudo da FGV RJ joga luz sobre as percepções de uma das faixas geográficas economicamente mais potentes e politicamente mais influentes

Por Misto Brasil – DF

Um estudo recente desafia o que muitos especialistas em geopolítica consideravam uma regra inquestionável: a ideia de que quem compra mais, manda mais no coração político de uma região.

Uma pesquisa inédita realizada pela Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV RI) revela que a pujante fronteira agrícola do Brasil — composta pelas regiões Norte e Centro-Oeste — vive um claro divórcio entre o pragmatismo de seus negócios e suas convicções ideológicas.

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O relatório intitulado “Como a Fronteira Agrícola Vê as Relações Internacionais” joga luz sobre as reais percepções de uma das faixas geográficas economicamente mais potentes e politicamente mais influentes do país.

Os dados coletados pela FGV RI mostram que a balança comercial e a confiança política correm em trilhos completamente separados na cabeça do produtor e dos moradores da fronteira.

“A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente”, resume o diretor da FGV RI, Matias Spektor.

A Cultura Antiestatista e o Pragmatismo com a Europa

Para entender essa dinâmica, o relatório mapeou o perfil ideológico dos moradores: 83,5% se identificam como de direita ou centro.

Existe uma forte mentalidade de livre mercado e aversão ao controle estatal, onde 64,3% dos entrevistados acreditam que a regulação do governo sobre os negócios traz mais prejuízos do que benefícios.

É essa lente ideológica que faz a região simpatizar com o modelo americano e desconfiar do regime centralizado de Pequim.

Essa mesma postura explica a relação com a União Europeia (UE). A fronteira adota uma postura de conformidade pragmática em relação às duras exigências ambientais do bloco europeu:

O estudo deixa um alerta claro para os diplomatas e governantes em Brasília: a fronteira agrícola hoje representa cerca de 15% do eleitorado nacional e gerou impressionantes USD 86,6 bilhões em exportações em 2025 (cerca de 25% de tudo o que o Brasil vende ao exterior).

Com esse tamanho, as preferências e os valores dessa população impõem limites reais e práticos à condução da política externa brasileira, mostrando que qualquer estratégia que tente forçar um alinhamento político automático com parceiros comerciais baseando-se apenas em números de exportação está fadada a ler o Brasil de forma completamente errada.

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