Em palestra proferida na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em 2010, ele afirmou que “o Brasil pode ser chamado de Engana
Por André César – DF
O jogo Inglaterra versus Gana colocou entre nós uma situação no mínimo inusitada. Uma peleja traz à memória questões absolutamente profundas. E vamos de Delfim Netto, ícone da economia no Brasil.
Mas, antes, peguemos Edmar Bacha. O economista, uma das figuras seminais do Plano Real, criou em 1974 a expressão (maravilhosa) Belíndia, um país fictício no qual uma minoria tinha um padrão de vida belga enquanto a maioria vivia em condições indianas.
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Em pleno regime militar, comparar a Bélgica com a Índia para explicar o Brasil de então não era tarefa fácil e requeria muita coragem.
Então chegamos a Delfim. Economista e professor universitário, é tido como das cabeças mais brilhantes de sua geração. Isso não livra sua biografia de polêmicas.
Foi embaixador do Brasil na França, e também ministro da Fazenda nos governos Costa e Silva e Médici, e da Agricultura e do Planejamento na gestão Figueiredo.
Mais ainda, foi um dos signatários do infame AI-5, de 13 de dezembro de 1968, que permitiu a cassação de políticos, interveio em governos estaduais e suspendeu direitos direitos e garantias constitucionais individuais. Um claro retrocesso.
Delfim foi ainda deputado federal entre 1987 (Constituinte) e 2007. Chegou a ser uma espécie de “conselheiro informal” do presidente Lula da Silva.
Agora, o embate Inglaterra versus Gana. Apesar do empenho das duas seleções, o resultado final foi um pífio 0 a 0, com o time britânico pressionando uma bem posta zaga dos africanos. Na verdade, foi um bom sonífero para os insones.
Voltemos novamente a Delfim. Em palestra proferida na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em 2010, ele afirmou que “o Brasil pode ser chamado de Engana. A renda é como da Inglaterra (England) e os serviços públicos prestados estão no nível de Gana”.
O conhecido humor sarcástico do economista se fez novamente presente. Na ocasião, ele criticou a taxa de juros, o câmbio e a ausência de investimentos em infraestrutura. Algo diferente do que ocorre nos dias atuais?
Futebol é alegria, cultura, história e (por que não?) economia. O clássico “Engana” está aí para confirmar essa realidade. E Delfim Netto certamente gostaria de assistir à partida.
