De la Espriella congelou as negociações ao denunciar um suposto plano de Petro e do senador Iván Cepeda para se manterem no poder
Por Misto Brasil – DF
A crise política na Colômbia atingiu o ápice com a suspensão oficial do processo de transição presidencial, desencadeando temores de uma quebra institucional no país.
A exatamente um mês da posse, marcada para 7 de agosto, o atual mandatário Gustavo Petro e o presidente eleito Abelardo de la Espriella trocaram acusações graves de fraude eleitoral e tentativa de golpe de Estado, paralisando os trabalhos entre as equipes.
A ruptura partiu de De la Espriella, que congelou as negociações ao denunciar um suposto plano de Petro e do senador Iván Cepeda para se manterem no poder.
Segundo o presidente eleito, o atual governo tenta usurpar as funções do órgão eleitoral e se recusa a aceitar o resultado das urnas, configurando uma clara ameaça à democracia.
Do outro lado, Petro justificou sua postura apontando indícios de manipulação digital. O atual presidente afirmou possuir provas de uma fraude algorítmica operada a partir de um servidor em Los Angeles, nos Estados Unidos, com financiamento estrangeiro ilegal.
Com base nisso, declarou textualmente que não reconhece a legitimidade do pleito e que De la Espriella não venceu a eleição, mergulhando a Colômbia em uma inédita e perigosa incerteza política.
A origem da crise política
A atual paralisia política é reflexo de uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia, realizada no último dia 21 de junho.
O presidente eleito, Abelardo de la Espriella — um advogado de direita e figura nova na política — venceu o segundo turno com 49,66% dos votos, superando o candidato governista Iván Cepeda por uma margem de apenas 250 mil votos (menos de 1% de diferença).
A tensão disparou porque o atual presidente Gustavo Petro questionou o resultado logo após a apuração, acusando o uso de algoritmos encomendados a empresas estrangeiras para fraudar as urnas.
Em resposta, De la Espriella já diplomou-se oficialmente pelo Conselho Nacional Eleitoral e convocou a comunidade internacional para monitorar a transição, enquanto Petro inflamou seus apoiadores sugerindo que não pretende deixar o Palácio de Nariño se a suposta fraude for ignorada.
Faltando um mês para a posse em 7 de agosto, o país vive um inédito vácuo institucional e sob o risco de protestos em massa.
