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Crise migratória em Ceuta divide a União Europeia

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Migrantes tentam atravessar a cerca de arame em Ceuta para a Espanha/Reprodução vídeo

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Estima-se que 50 mil pessoas tenham cruzado de Marrocos para Ceuta na semana passada, segundo autoridades espanholas

Por Misto Brasil – DF

A recente entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta vem renovando tensões políticas ligadas à migração na União Europeia (UE).

Com uma reunião de emergência prevista para terça-feira (04), a maioria dos membros do bloco pressiona a Espanha, à qual pertence o exclave no Norte da África, por supostamente falhar em proteger as fronteiras externas da Europa, informou a Agência DW.

Estima-se que 50 mil pessoas tenham cruzado de Marrocos para Ceuta na semana passada, segundo autoridades espanholas. Outras 50 mil teriam se deslocado internamente no território marroquino, percorrendo longas distâncias na esperança de fazer a travessia para o enclave.

Na esteira da corrida em massa à fronteira, 22 países da UE assinaram no fim de semana uma carta pública com críticas ao governo espanhol, endereçada às lideranças da UE. A iniciativa foi capitaneada por Itália e Dinamarca, que angariaram apoio, inclusive, da Alemanha.

Ficaram de fora França, Irlanda, Luxemburgo e Portugal. Os governos francês e português, cujos países fazem fronteira com a Espanha, adotaram posturas mais comedidas.

“Ataque” e “abuso” contra UE

O texto da carta conjunta ecoou a explicação dos governos de Marrocos e Espanha para a travessia em massa: redes de tráfico humano teriam explorado uma interpretação distorcida de uma decisão do início de julho pelo Tribunal Supremo da Espanha.

Ficou proibida então a devolução imediata de migrantes interceptados no mar, embora a determinação não impeça deportações nem se aplique a quem cruza irregularmente a fronteira terrestre de Ceuta ou Melilla.

“Reconhecemos que a recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha foi utilizada para desencadear esse ataque e abusar do nosso sistema de migração e asilo,” disse a carta.

“Ao mesmo tempo, temos o dever de dissuadir de forma eficaz e combater incansavelmente a migração ilegal, coordenando nossas ações, fortalecendo nossas fronteiras externas e abordando todas as políticas que possam servir como fatores de atração, como a regularização de um número muito grande de migrantes em situação irregular.”

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