Há injustiça climática no DF que precisa ser corrigida quando o assunto é árvore: muitas no Plano Piloto, poucas nas regiões administrativas.
Por Mônica Igreja – DF
Em outubro, vamos usar as urnas eletrônicas para expressar o direito ao voto e à participação política. Podemos votar pelo passado, pela continuidade ou pelo futuro.
No Distrito Federal, estão registradas 10 chapas para governador e vice, 12 candidatos ao Senado, 164 concorrem a deputado federal e 420 a deputado distrital.
A propaganda eleitoral começou, oficialmente, neste domingo (16).
Nos dias 4 de outubro (primeiro turno) estaremos com nossas escolhas anotadas na ‘colinha’ com seis nomes e números ao entrar na cabine de votação: 1 deputado federal, 1 deputado distrital, 2 senadores, governador e presidente.
No site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é possível consultar os cargos por partidos que estão concorrendo no DF. Um eventual segundo turno ocorre em 25 de outubro.
Votar pelo clima é o meu olhar para as eleições e os/as candidatos/as. Os recursos naturais e o impacto no bolso são os tópicos que movem as escolhas que vou fazer.
Em tempos atuais, a crise climática já está instalada no cotidiano de nossas vidas, ainda que, às vezes, passe despercebida. Fica evidente quando estamos experimentando uma onda de calor e o ventilador ou ar-condicionado impactam a conta de luz no mês seguinte.
Há outros impactos no bolso. O custo dos alimentos, por exemplo. A produção de orgânicos vem crescendo no DF ao longo dos anos, mas comprar alimentos sem agrotóxico no mercado é um luxo.
O preço é alto! Segundo o engenheiro agrônomo Tiago Campos, em entrevista do CB.Agro, o mercado de hortifruti orgânico movimenta R$ 60 milhões ao ano.
Também fala alto no bolso e na qualidade de vida a questão do solo e da água. A preservação do solo fértil para a produção alimentar não está na monocultura, e sim nos sistemas agroflorestais que ajudam a ampliar a cobertura arbórea. Em falar em árvores, elas devem ser cuidadas para que possam exercer o serviço ambiental de capturar CO2 e produção de ar puro.
Há uma injustiça climática no DF que precisa ser corrigida quando o assunto é árvore: muitas no Plano Piloto, poucas nas cidades das regiões administrativas.
Assunto da coluna Clima & Pessoas, aqui do Misto Brasil, em maio desse ano. Árvore também é o tópico prioritário para os integrantes da Comissão de Defesa do Meio Ambiente do Plano Piloto, região administrativa do Distrito Federal.
Uma sondagem entre moradores da Asa Norte e da Asa Sul, sobre os principais problemas ambientais enfrentados pelo Plano Piloto, apontou seis tópicos prioritários que devem estar na agenda de atuação da Comdema-Plano Piloto. O objetivo da sondagem foi o de também subsidiar a Carta Aberta aos Candidatos a cargos públicos no Distrito Federal.
Síntese dos seis eixos prioritários
– Cuidado com as árvores, com a poda, com o plantio de espécies nativas e com o monitoramento do envelhecimento das árvores
– Intervenção nos estacionamentos públicos para que o asfalto e o concreto sejam substituídos por materiais que facilitem a infiltração de água e que as superfícies tenham um padrão obrigatório de cobertura vegetal mínima
– Manejo de resíduos sólidos nas Entrequadras Comerciais do Plano Piloto, pois o acúmulo de lixo, muitas vezes disposto de forma irregular e em locais de circulação, gera problemas sanitários e degradação do espaço urbano
– Recuperação de nascentes, de áreas degradadas, e o combate a ocupações irregulares promovem a proteção a áreas verdes e o investimento em infraestrutura verde como jardins de chuva e reuso de água preservam o cerrado
– Mais transporte público não poluente, expansão de ciclovias e incentivos à integração de modais de caminhadas na mobilidade urbana
– Transparência na gestão de recursos ambientais, incluindo os provenientes de compensação ambiental, e promover a participação social no acompanhamento de políticas públicas
Votar pelo clima é uma opção. A minha, e pode ser a sua também! Os recursos ambientais garantem água, solo, ar e sol para a continuidade da vida.
