Declaração do chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea Argentina criou constrangimento, porque o canal pertence ao Chile.
Por Misto Brasil – DF
O Chile e a Argentina passam por um mal-estar diplomático envolvendo o Estreito de Magalhães, uma via marítima navegável e estratégica na América do Sul.
O canal de cerca de 570 quilômetros, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico por águas calmas, pertence ao Chile e se localiza integralmente dentro do seu território.
Mas, no domigo (23), o chefe do Estado-Maior Geral da Força Aérea Argentina, o brigadeiro-general Gustavo Javier Valverde, disse que o seu país deveria “manter presença” no estreito.
Citando o Estreito de Magalhães e a Passagem de Drake (que divide a Antártida da América do Sul), o militar afirmou, a um podcast veiculado na internet, que “tudo isso é soberania”.
“É preciso fazer presença porque isso é uma chave bioceânica do Atlântico-Pacífico. Isso pode alertar você para um monte de coisas.”
A declaração foi lida, pela imprensa argentina e pela diplomacia chilena, como uma afirmação de posse sobre o estreito. A Passagem de Drake, por sua vez, tem áreas sob posse dos dois países, com a maior porção sendo de águas internacionais.
Em reação, o Chile disse que enviaria uma nota de protesto à Argentina. O chanceler Francisco Pérez Mackenna comentou o caso durante uma visita oficial ao Vietnã:
“Reiteramos que a soberania do Chile sobre o Estreito de Magalhães em sua totalidade é indiscutível e se fundamenta nos Tratados de 1881 e 1984 assinados por ambos os países.”
Ele ainda instou “autoridades de outros países para que sejam responsáveis com suas declarações e não confundam seus cidadãos”, informou a Agência DW.
