A adoção teve alguns intermediários e custou uma quantia considerável ao casal sueco num caso que aconteceu nos anos 1980.
Por Misto Brasil – DF
Por mais de 40 anos, Gabriela Bengtsson acreditou ter sido abandonada num cesto ainda recém-nascida no pátio de um mosteiro em Salvador, na Bahia. Era tudo o que ela sabia sobre a própria origem enquanto crescia na Suécia.
E também foi esta história que seus pais adotivos ouviram quando desembarcaram em São Paulo, em 1981, para levá-la para a Europa.
A adoção teve alguns intermediários e custou uma quantia considerável ao casal sueco. Desde criança, Gabriela sabia dos trâmites, mas desconhece o valor exato que sua família adotiva desembolsou.
A bebê foi levada do Brasil com uma certidão de nascimento em que o nome do casal sueco aparecia como pais biológicos.
O passado parecia apaziguado até Gabriela encontrar caixas antigas no sótão após a morte do pai. Elas guardavam documentos e registros da adoção no Brasil. Foi quando ela passou a vasculhar os vestígios para descobrir de onde vinha.
Em 13 de julho de 2020, ela escreveu uma mensagem numa página mantida por um grupo de voluntários que ajudam pessoas a localizar familiares no Brasil. Mesmo sem entender português, Gabriela percebeu que seu pedido causou alvoroço.
“Quando eu comecei a traduzir os comentários, vi que a pessoa envolvida na minha adoção foi suspeita de participar de um esquema ilegal nos anos de 1980“, conta Gabriela à DW.
Seis anos depois daquele primeiro pedido de ajuda online, após seguir as pistas do resultado de um teste de DNA, de muitas trocas de mensagens e telefonemas, Gabriela desembarcou no Brasil no fim de junho para conhecer sua mãe biológica.
“Foi simplesmente maravilhoso. Foi bonito. Muitos abraços, muito amor. Tudo fez sentido, eu senti isso no meu coração”, explica Gabriela, emocionada. (Texto da Agência DW)
