Cerca de 26,84 milhões de mulheres — 93,6% das 29 milhões de vítimas — estão na lacuna entre ter sofrido agressões e buscar proteção policial.
Por Misto Brasil – DF
A atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, baseada na 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado), revelou um abismo entre a realidade vivenciada pelas brasileiras e os dados de órgãos públicos.
Veja o mapa completo da violência
Cerca de 26,84 milhões de mulheres — equivalente a 93,6% das 29 milhões de vítimas no país — estão na lacuna entre ter sofrido agressões e buscar proteção policial, seja por não notificarem as autoridades ou por não identificarem o abuso sofrido.
O estudo inédito, fruto da parceria entre o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), Instituto Natura e a plataforma Gênero e Número, aponta que o subregistro mascara a gravidade do cenário social:
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Incapaz de nomear a agressão: 87% das vítimas (24,97 milhões) relataram situações concretas de agressão, mas não as classificaram espontaneamente como violência.
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Barreira na busca por ajuda: Apenas 4% declaram abertamente sofrer violência doméstica; contudo, ao descreverem os fatos sem usar o termo, a taxa sobe para 33%.
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Alagoas lidera índice: É o único estado com índice de subnotificação acima da média nacional, atingindo 36% das entrevistadas.
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Impacto econômico e cotidiano: 69% das vítimas tiveram sua rotina diária afetada e 56% vivem com renda familiar de até dois salários mínimos.
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Perfil do agressor: Em 62% dos casos no Brasil, a violência é praticada pelo marido ou companheiro.
A iniciativa consolida dados do Sinesp, DataJud e DataSUS para orientar políticas públicas de acolhimento e ampliação das redes de proteção no país.
