Tal como em todas as COP anteriores, revelou-se difícil alcançar unanimidade em relação a documentos juridicamente vinculativos e abrangentes.
Por Misto Brasil – DF
Após 12 dias de debates e negociações na capital mongol, Ulaanbaatar, os delegados das 197 partes (196 países + a UE) que assinaram a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação encerraram a Conferência das Partes (COP17) com resultados notáveis.
Tal como em todas as COP anteriores, revelou-se difícil alcançar unanimidade em relação a documentos juridicamente vinculativos e abrangentes, especialmente numa altura em que as grandes potências questionam o próprio princípio do multilateralismo.
A Convenção é um processo e, desde o início da COP17, o país anfitrião, a Mongólia, e a ONU têm apelado para que ela tente produzir resultados tangíveis, segundo a Euronews.
“Hoje, chegou a hora de nos fazermos uma pergunta ousada e sincera: falamos muito e fizemos muitas declarações, mas conseguimos transformar nossas palavras em ações?”
Os eventos anteriores trouxeram resultados significativos. Mas a verdade é que o mundo nunca careceu de objetivos e compromissos.
O que precisamos com mais urgência são recursos, financiamento, tecnologia e ambiente institucional para transformar esses compromissos em resultados tangíveis”, disse o primeiro-ministro da Mongólia, Nyam-Osoryn Uchral.
40% das terras aráveis do planeta estão afetadas pela degradação do solo. Ou seja, estão se transformando lentamente em desertos áridos.
O problema já afeta 3,2 bilhões de pessoas no mundo.
Desde a abertura da COP17, seus representantes e delegados de diferentes países alertaram que o mundo muitas vezes não percebe que os problemas mais óbvios, como migração, incêndios florestais e secas, são frequentemente consequências da incapacidade do solo de sustentar vegetação e habitação humana.
“A desertificação pode ser simplesmente uma crise alimentar, porque uma vez que sua terra esteja degradada, você não poderá plantar e terá problemas de segurança alimentar e hídrica, além de migração e deslocamento.”
Aqui, as pessoas não têm a opção de deixar ou não suas terras, mas não têm nada que sustente seu modo de vida e lhes dê resiliência. Some-se a isso o impacto da seca, das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, e tudo isso agrava o problema da desertificação”, afirma Yasmine Fouadh, Secretária Executiva da UNCCD.
“Não conseguiremos resolver nenhum dos nossos problemas sem trabalhar a terra. 90% dos nossos alimentos vêm da terra, 99,8% das nossas calorias vêm da terra, as nossas cidades e aldeias estão na terra, as nossas fazendas e rios, lagos, toda a água doce está na terra. E essa terra também armazena três vezes mais dióxido de carbono do que existe na atmosfera”, alertou o Osama Faqeeha, assessor da COP16 em Riade.
