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Venezuela: nunca foi a democracia

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Detalhe fde parte da cidade de Caracas, a capital da Venezuela/Arquivo/BBC

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O país seguirá sendo uma potência energética mergulhada na pobreza e na miséria, sob comando socialista controlado pela Casa Branca.

Por Marcelo Rech – DF

Na sexta-feira (28), Washington e Caracas firmaram um super acordo petroleiro que permitirá aos EUA explorar por 25 anos, 17 campos petroleiros com reservas provadas de 90 bilhões de barris, cifra que representa praticamente um terço do total das reservas venezuelanas.

O presidente Donald Trump justificou a medida como necessária para abastecer a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA.

O acordo confirma o que todos sabiam desde a derrubada de Nicolás Maduro, em janeiro: nunca foi a democracia o que moveu os EUA em direção à Venezuela. Sempre foi o petróleo.

O interesse norte-americano, como sempre, é o que define as diretrizes de sua Política Externa.

O primeiro indício sólido foi a manutenção do regime chavista no poder. Maduro foi arrancado do governo e está preso nos EUA, mas seus antigos e mais fortes colaboradores, seguem à frente da farsa montada por Washington. Fosse uma operação de salvação nacional, pelo menos uma centena dos que ainda mandam na Venezuela, estariam presos.

O acordo petroleiro também poderá ter outras implicações como um acordo a ser firmado com o próprio Nicolás Maduro, que preservaria sua fortuna e sua família da Justiça americana.

Para os pobres venezuelanos, resta assistir ao teatro sem quaisquer outras perspectivas de mudanças internas.

Ao que tudo indica, a Venezuela seguirá sendo uma potência energética mergulhada na pobreza e na miséria, sob comando socialista controlado pela Casa Branca.

Desde que o petróleo continue fluindo, pouco importa se o regime persegue, prende, tortura e mata. Menos ainda, acreditar que os membros da ditadura, a começar pelo próprio Maduro, respondam algum dia pelos seus crimes.

O acordo petroleiro também tem impacto geopolítico, uma vez que a China era quem mais se beneficiava ao “comprá-lo” com enormes descontos. Sem o petróleo venezuelano, Pequim terá de buscar novos mercados, de preferência, algum que esteja disposto a enfrentar-se aos EUA.

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