O CEO da companhia, Dara Khosrowshahi, justificou que a expansão trouxe coordenação excessiva e lentidão operacional.
Por Misto Brasil – DF
A Uber anunciou o corte de cerca de 3,3 mil funcionários, o equivalente a 10% de sua força de trabalho global. A reestruturação foca na eliminação de excessos hierárquicos e busca reduzir pela metade as chamadas “microequipes”, nas quais gestores lideram apenas um ou dois subordinados diretos.
O CEO da companhia, Dara Khosrowshahi, justificou que a expansão trouxe coordenação excessiva, responsabilidades pulverizadas e lentidão operacional.
Pesquisas internas revelaram debates prolongados, sobreposição de papéis e falta de clareza sobre responsabilidades decisórias. A resposta da empresa foi ampliar o escopo dos gestores, eliminar funções focadas apenas em intermediação e reduzir em 20% o número de colaboradores situados a sete ou mais níveis de distância do topo da organização.
O cenário reflete um desafio recorrente em organizações em rápido crescimento, nas quais a criação contínua de novos produtos e cargos gera burocracia interna. Parte relevante do tempo corporativo passa a ser consumida no alinhamento de processos em vez da execução do negócio.
Para João Paulo Batistella, especialista em transformação organizacional, a gestão perde eficiência quando uma deliberação simples exige múltiplas aprovações.
Cada camada hierárquica precisa justificar sua existência acelerando soluções, desenvolvendo pessoas ou resolvendo complexidades reais. O movimento da Uber acompanha a tendência de achatamento estrutural no setor de tecnologia, focado em aproximar quem decide de quem executa.
O desafio das corporações reside em eliminar níveis redundantes sem sobrecarregar as lideranças remanescentes ou comprometer o suporte às equipes.
A reestruturação evidencia que a eficiência operacional moderna depende da capacidade de tomar decisões rápidas sem transformar a coordenação interna em gargalo burocrático.
