Descobrir gargalos orçamentários apenas no fim do mês compromete a recuperação e a saúde financeira dos negócios. Veja as dicas.
Por Misto Brasil – DF
A falta de planejamento e o descontrole de caixa provocam o encerramento das atividades de 48% das micro e pequenas empresas brasileiras, aponta o Sebrae.
O cenário é agravado pelo fato de que apenas 35% das PMEs realizam o fechamento mensal com análise de margem de lucro e encargos. Para Henrique Carbonell, CEO da F360, a ausência de dados em tempo real impede que empreendedores se antecipem aos impactos e crises do mercado.
Segundo o executivo, descobrir gargalos orçamentários apenas no fim do mês compromete a recuperação e a saúde financeira dos negócios. Diante da pressão sobre o setor varejista, a adoção de processos estruturados surge como medida urgente para proteger a operação.
Ferramentas de controle de fluxo de caixa e acompanhamento de métricas tornam-se indispensáveis para garantir a sustentabilidade das empresas.
Cinco recomendações práticas
Transforme o fluxo de caixa em rotina, não em tarefa de fim de mês
Projetar entradas e saídas para os próximos 30, 60 e 90 dias deveria ser hábito semanal, não um exercício isolado no fechamento mensal.
“Em um cenário de juros altos e crédito mais caro, antecipar um aperto de caixa em semanas, e não em dias, muda completamente a margem de negociação da empresa”, explica Carbonell.
Centralize os dados de todas as unidades ou lojas em um único painel
Para redes de franquia e varejistas com múltiplos pontos de venda, informações espalhadas em planilhas paralelas e sistemas diferentes por loja escondem riscos que só aparecem tarde demais.
Consolidar os dados financeiros em uma visão única é o que permite comparar desempenho entre unidades e agir antes que um problema pontual vire sistêmico.
Acompanhe margem por produto e por unidade, não só o faturamento total
Faturar mais não significa necessariamente lucrar mais. Com o consumidor mais seletivo e o tíquete médio em queda em diversos segmentos, monitorar a margem de cada produto e de cada loja separadamente é o que permite redirecionar investimento para o que efetivamente dá retorno.
Negocie dívidas e crédito com dados em mãos, não com intuição
Com a Selic em patamar elevado e o crédito mais seletivo, empresas com informações financeiras organizadas e conformidade em dia chegam à mesa de negociação com bancos e fornecedores em posição mais forte.
“Dado estruturado é moeda de negociação. Nenhuma empresa consegue negociar prazo ou taxa de igual para igual sem números confiáveis”.
Troque a planilha pela automação e o improviso pelo processo
Substituir controles manuais por sistemas de gestão financeira integrados reduz erros de lançamento, melhora a conformidade fiscal e libera tempo do empreendedor para decisões estratégicas.
Segundo Carbonell, esse é o passo que sustenta todos os outros: “Tecnologia não substitui a decisão do gestor, mas garante que essa decisão seja tomada com base na realidade do negócio, não na sensação do mês”.
