Apesar da máxima de que “política externa não dá voto”, nesta eleição em especial, os temas internacionais ganharam tração.
Por Marcelo Rech – DF
Independentemente de quem ganhar as eleições de outubro, o Brasil terá, obrigatoriamente, que rever suas diretrizes de Política Externa, se quiser ter um futuro sustentável.
Apesar da máxima de que “política externa não dá voto”, nesta eleição em especial, os temas internacionais ganharam tração.
A oposição usa a debilidade e o isolamento do Brasil nos grandes temas globais, para sensibilizar o eleitorado, atribuindo ao atual governo, a perda, por exemplo, de protagonismo e investimentos.
O Brasil atual não é chamado para discutir os grandes conflitos e isso deve-se, em grande medida, ao fato de termos um Itamaraty dominado pela militância.
Uma suposta neutralidade não pode ser defendida quando tomamos um lado e o Brasil decidiu aliar-se com qualquer país que faça o contraponto com os EUA, não importando se democrático ou não. A referência é o simples e raso antiamericanismo.
Para tanto, vale até prefaciar livro que exalta o Hamas, como fez a principal voz da nossa Política Externa, Celso Amorim.
O candidato-presidente aposta suas fichas no apelo à defesa da soberania. Mas, diga-se, soberania apenas quando se trata dos EUA, pois a China manda e desmanda, dá ordens e, por meio da chantagem, faz valer os seus interesses e, tudo bem!
Os europeus, menos influentes, também se acham no direito de nos ensinar, mesmo mergulhados na decadência.
Por outro lado, a oposição ainda precisa calibrar não apenas o discurso, mas as próprias linhas do que pretende realizar caso chegue ao poder.
Por ora, fica a ideia de um alinhamento automático com Washington e uma aliança cega com Israel, além da ideia de que o Brasil não pode e não deve, envolver-se em todos os conflitos mundo afora.
Enquanto o atual presidente faz palanque eleitoral na ONU, apresentando-se como o líder que peita o imperialismo americano, seu principal oponente fala em cooperação sem subordinação.
O fato objetivo é que, passada a eleição, a agenda internacional pressionará o vencedor para que abandone o discurso e adote medidas objetivas que permitam ao país atrair investimentos sólidos e resgatar o respeito internacional de que um dia usufruímos.
