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Lula menciona fake news sobre Nossa Senhora e é contestado

Lula da Silva Taboão da Serra discurso Misto Brasil

Lula da Silva em Taboão da Serra (SP), no encontro do MTST/Arquivo/Divulgação

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Questionado durante a entrevista sobre o fato de a informação ser falsa, o presidente disse não ter certeza sobre a origem do conteúdo.

Por Misto Brasil – DF

O presidente Lula da Silva (PT) comentou, neste domingo (27), uma informação falsa que associava Flávio Bolsonaro (PL) a uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, quando o presidente foi alertado de que o conteúdo que circulava nas redes sociais havia sido desmentido.

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Ao tratar do episódio, Lula afirmou que “mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável” e defendeu o respeito entre diferentes religiões. “Eu respeito a religião evangélica e quero que respeite a religião católica, a religião de matriz africana”, declarou.

Questionado durante a entrevista sobre o fato de a informação ser falsa, o presidente disse não ter certeza sobre a origem do conteúdo. “Eu não sei se foi fake news. O dado concreto é que isso está na rede social muito forte”, afirmou.

A controvérsia começou a se espalhar na quinta-feira (24), quando perfis ligados à esquerda passaram a compartilhar publicações segundo as quais Flávio Bolsonaro apoiaria uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do país.

Segundo monitoramento realizado pela campanha do candidato do PL, uma das primeiras publicações de grande alcance teria sido feita pelo influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, responsável pelo perfil “Dilma Bolada”. Monteiro nega ter divulgado informação falsa.

O assunto ganhou maior repercussão após ser abordado em um dos telejornais da GloboNews. Na ocasião, foi mencionado que setores da Igreja Católica poderiam reagir a uma suposta mobilização de grupos evangélicos favorável à mudança e que o episódio poderia produzir efeitos eleitorais entre católicos. Posteriormente, a emissora corrigiu a informação e pediu desculpas pelo erro.

Mesmo após o esclarecimento, o tema continuou circulando nas plataformas digitais. De acordo com levantamento do Instituto Democracia em Xeque, o episódio chegou a cerca de 1 milhão de publicações em menos de três dias.

A proposta usada como referência nas postagens não é recente e não foi apresentada por Flávio Bolsonaro. O projeto foi protocolado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso, e acabou arquivado no ano seguinte.

A iniciativa, portanto, não integra o atual processo eleitoral nem corresponde a uma proposta apresentada pelo candidato do PL citado nas publicações.

Neste domingo, Flávio Bolsonaro reagiu ao episódio e acusou adversários políticos de impulsionarem a desinformação. Ele afirmou que o “PT conseguiu levantar fake news com ajuda de gente de dentro da CNBB”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil negou qualquer participação na produção ou disseminação do conteúdo.

Em nota, a entidade afirmou que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”.

A CNBB também rejeitou tentativas de associá-la a estruturas partidárias ou eleitorais e declarou que repudia o uso de desinformação, independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado. “A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou a Conferência.

No comunicado, a CNBB destacou ainda que não integra estruturas político-partidárias e que suas manifestações sobre eleições estão vinculadas à sua atuação institucional e pastoral.

A Conferência afirmou que atribuir à instituição participação na produção de desinformação sem apresentação de provas prejudica o ambiente de debate público.

Ao final da nota, a entidade reiterou compromisso com a verdade, o diálogo e a paz durante o processo eleitoral. (Texto do Times Brasil)

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