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O Congresso Nacional a partir de 2027

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Detalhe d plenário do Senado Federal que terá novos senadores em fevereiro de 2027/Arquivo/Agência Senado

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A sucessão nas duas Casas será inevitavelmente afetada. Hugo Motta deve ser apeado da presidência da Câmara, assim como Alcolumbre. no Senado.

Por André César – SP

Os sinais são bastante fortes. A partir do próximo ano, o mundo político brasileiro ingressará em um novo ciclo, com uma nova configuração. No epicentro desse processo está o Congresso Nacional, que muda de figura.

Antes de abordar o Legislativo, porém, uma rápida palavra sobre o segundo turno da sucessão presidencial. A disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) igualmente indica a mudança de ares.

O contraste entre as duas campanhas, até aqui, reflete essa realidade. De um lado, os petistas e seus aliados não tiveram plena capacidade para resolver os novos desafios que se apresentam nos dias que correm. Uma campanha sem pegada, que não empolgou o eleitor médio e pareceu distante da realidade.

De outro, o candidato do PL mostrou/mostra mais dinamismo, em especial nas redes sociais, falando com um eleitorado hoje preocupado em empreender, em ter seu próprio negócio, não importando a escala dele. O mundo da CLT perde espaço e torna-se anacrônico.

Agora, voltemos ao Parlamento. A vitória incontestável do PL nas duas Casas terá grande impacto sobre os eventos políticos a partir de agora.

Afinal, em um quadro de grande fragmentação partidária, eleger 121 deputados e estabelecer uma bancada de 28 senadores é claramente uma demonstração de força, que dá ao partido de Valdemar Costa Neto as condições para distribuir muitas cartas.

A sucessão nas duas Casas será inevitavelmente afetada. Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos/PB) já enfrenta alguma resistência à sua recondução à Mesa. O PL tentará assumir o comando e uma alternativa que poderá ser apresentada será a substituição do paraibano pelo presidente nacional de seu partido, Marcos Pereira (SP). Uma solução intermediária, talvez mais interessante até mesmo para o PL.

No Senado Federal o quadro é ainda mais complexo. Derrotado nas urnas (seu candidato ao governo no Amapá não se elegeu, bem como seu aliado petista Randolfe Rodrigues não conseguiu a recondução ao Senado), o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) perdeu parte significativa de seu instrumental político e já é pressionado pelos adversários.

Aqui, note-se que o PL já trabalha para assumir a Mesa, com um nome pré-definido, o senador e comandante da campanha presidencial de Bolsonaro Rogério Marinho (PL/RN). Hoje, capital político não lhe falta.

Quanto à agenda legislativa, uma pauta mais conservadora tende a ganhar espaço. Costumes, revisão de direitos sociais, desregulamentação e diminuição do Estado deverão entrar na ordem do dia. No caso do Senado, importante observar os destinos do hoje combalido Supremo Tribunal Federal (STF), já há tempos pressionado. Alguns ministros não terão vida fácil.

Por fim, os derrotados. Partidos tradicionais perderam espaço na Câmara, como a Federação PP/União Brasil (perdeu onze cadeiras e terá 87 assentos), o PSD de Gilberto Kassab (menos cinco, caindo para 43), o MDB (menos duas, indo a 36) e a Federação PSDB/Cidadania (menos oito, ficando com onze).

Do lado do petismo, a Federação PT/PCdoB/PV teve ganho de seis cadeiras e passará a 88 deputados. O partido conseguirá fazer frente a PL e seus aliados?

Para concluir, novos tempos se apresentam. A população sentirá as mudanças e deverá ficar atenta aos movimentos de seus representantes. Atenção e cobrança serão ainda mais fundamentais a partir de agora.

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