As notificações de violações cresceram 24,3% entre 2024 e 2025, somando 9.105 casos, diz a pesquisa do IBGE.
Por Misto Brasil
O Brasil registrou uma redução de 9,2% no número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025. O dado consta na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, o indicador alcançou o menor patamar da série histórica iniciada em 2016.
Apesar do recuo, o levantamento aponta que 1,499 milhão de jovens permaneciam nessa condição em 2025, o que representa 4,0% da população dessa faixa etária.
As piores formas de trabalho infantil registraram queda de 6,3%, somando 525 mil vítimas. A redução acumulada nessa categoria chega a 43% na comparação com o primeiro ano do levantamento.
A retração foi impulsionada sobretudo pelas famílias atendidas pelo Bolsa Família, que responderam por mais de 95% do recuo total do indicador.
Nos domicílios beneficiados pelo programa, o trabalho infantil caiu 20,1% em relação a 2024, retirando 144 mil crianças e adolescentes dessa situação.
Paralelamente à queda dos índices, o Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou aumento no volume de denúncias e ações. As notificações de violações cresceram 24,3% entre 2024 e 2025, somando 9.105 casos. No mesmo período, a assinatura de Termos de Ajuste de Conduta (TACs) pelo órgão teve alta de 32%.
Representantes do MPT avaliam que o avanço reflete a continuidade de políticas públicas e a intensificação da fiscalização.
A instituição ressalta que o país não cumpriu a Meta 8.7 da Agenda 2030 da ONU, que previa a erradicação do trabalho infantil até 2025, destacando que adolescentes de 14 a 17 anos e pretos ou pardos seguem como maioria das vítimas.
