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Dez sugestões para escrever a redação do Enem

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Pais se despedem de filha que faz hoje o Enem 2024/Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Diferente das demais áreas, não dá para estudar o tema da dissertação, mas é possível se preparar esta prova do concurso.

Por Misto Brasil – DF

No Enem, a redação é a que mais gera ansiedade e também a que mais pode fazer diferença na nota final.

Com 1.000 pontos em disputa e peso decisivo na maioria dos processos seletivos, um bom desempenho na dissertação pode compensar tropeços nas questões objetivas.

O problema é que, diferente das demais áreas, não dá para estudar o tema da dissertação, mas é possível se preparar para ele.

“A redação não avalia criatividade nem opinião pessoal, mas sim a capacidade de argumentar com consistência sobre uma adversidade social real, usando repertório qualificado e propondo uma intervenção concreta”., explica a gerente de Conteúdo da FTD Educação, Amanda Voivodic.

“Quem tem essa estrutura na ponta do lápis e chega ao grande dia com o contexto atual bem mapeado tem uma vantagem enorme”.

Os dez temas apontados

  1. Regulamentação ética da inteligência artificial no Brasil

O avanço acelerado das ferramentas de IA generativa sem diretrizes claras levanta apontamentos urgentes sobre desigualdade no mercado de trabalho, integridade acadêmica e discriminação algorítmica, uma discussão que o Congresso Nacional ainda não encerrou e que a avaliação tem o hábito de explorar quando a pauta domina o noticiário.

  1. Combate ao etarismo e inclusão da terceira idade

Em uma sociedade que supervaloriza a produtividade, a marginalização dos mais velhos, tanto no mercado quanto na vida social, é um obstáculo crescente. Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, a problemática une direitos humanos, legislação e cultura.

  1. Regulamentação das apostas esportivas online

A explosão das bets no Brasil transformou o que era entretenimento em uma situação de saúde pública, com impacto desproporcional sobre jovens e famílias de baixa renda. A OMS já classifica a ludopatia como transtorno aditivo, e o debate regulatório segue em aberto.

  1. Efetividade das políticas de proteção contra o feminicídio

Vinte anos após a Lei Maria da Penha, o Brasil ainda registra índices alarmantes de assassinatos de mulheres. A distância entre o arcabouço legal e a realidade cotidiana é um dos eixos mais recorrentes nas propostas de intervenção cobradas pela prova.

  1. Saúde mental e precarização no trabalho

A pandemia acelerou o reconhecimento da Síndrome de Burnout como doença ocupacional. A hiperconexão digital e a uberização das relações de trabalho aprofundam o esgotamento e o Enem tem sido consistente em abordar a saúde mental sob diferentes ângulos.

  1. Preservação das línguas e culturas dos povos originários

O apagamento das tradições e idiomas indígenas é tratado por pensadores como Ailton Krenak como um etnocídio silencioso. Com a crescente visibilidade das pautas indígenas no debate público, o tema tem potencial elevado para 2026.

  1. Segurança alimentar e combate à fome

A fome no Brasil não é uma falha de produção, mas sim de distribuição. Josué de Castro já explicava isso no século XX e a discussão continua atual, especialmente após o impacto da pandemia sobre as camadas mais vulneráveis.

  1. Adaptação a eventos climáticos extremos

As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 escancararam a vulnerabilidade das cidades brasileiras diante das mudanças climáticas e expuseram o conceito de racismo ambiental, que concentra os riscos sobre populações periféricas. Um assunto com comoção social, científico e geográfico simultaneamente.

  1. Analfabetismo funcional e cidadania

Saber decodificar letras não é o mesmo que compreender um texto, o analfabetismo funcional limita o exercício pleno da cidadania e facilita a disseminação de desinformação, uma conexão que o Enem, com sua vocação crítica, tem todas as condições de explorar.

  1. Desafios para a doação de órgãos e tecidos

O Brasil tem um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo, mas as filas de espera seguem fatais. O desconhecimento sobre morte encefálica e a ausência de conversa familiar sobre isso são os principais entraves e pautas com essa dimensão ética e humana têm forte apelo para o exame.

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