O vice-presidente assumiu o cargo com o compromisso de não abandonar os afetados pelo colapso do banco Ueda.
Por Misto Brasil
Pedro Alliana, de 52 anos, que até o início da noite desta sexta-feira (06) era vice-presidente do Paraguai, assumiu a Presidência numa cerimônia realizada no Congresso pouco depois do impeachment de Santiago Peña, em meio à grave crise que levou ao fechamento do banco Ueno Bank.
Alliana assumiu o cargo com o compromisso de não abandonar os afetados pelo colapso do banco. “Eles serão plenamente compensados. Não vamos deixá-los sozinhos”, afirmou após receber a faixa presidencial.
“Mangui”, como é conhecido entre amigos e familiares, foi vice-presidente de Peña por três anos, embora sem herdar o carisma e a habilidade de comunicação de seu antecessor.
Na quinta-feira passada, a Câmara dos Deputados rejeitou uma proposta de abertura de um processo de impeachment contra Alliana, o que abriu caminho para que ele sucedesse Peña, de quem foi companheiro de chapa nas eleições gerais de 2023.
Alliana deverá agora cumprir o restante do mandato de Peña, que termina em agosto de 2028.
Quem é Pedro Alliana
Pedro Alliana, um experiente político conservador e ex-jogador de basquete, sempre sonhou em ser presidente do Paraguai.
Dificilmente imaginaria que alcançaria esse objetivo sem passar pelas urnas e em meio a uma tempestade financeira que mantém metade da população do país em estado de apreensão.
Ele planejava disputar as eleições de 2028 pelo influente Partido Colorado, mas o escândalo bancário acelerou sua chegada ao poder.
“Eu quero ser presidente. Tenho capacidade para ser presidente da República”, disse em meados de outubro.
Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez nasceu em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, cidade do departamento de Ñeembucú e localizada a 300 quilômetros ao sul de Assunção. Desde os tempos de jogador de basquete é conhecido pelo apelido de “Mangui”. Ele chegou a integrar a seleção paraguaia.
Alliana construiu sua trajetória enfrentando dificuldades. Em 2018 foi diagnosticado com uma forma agressiva de leucemia, o que o afastou da Câmara dos Deputados por mais de 90 dias. A experiência fortaleceu sua fé católica e estreitou sua relação com o ex-presidente Horacio Cartes, que custeou seu tratamento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Embora tenha declarado a doença superada, três anos depois precisou se submeter novamente a uma quimioterapia.
Antes disso, em 2003, enfrentou a tragédia do sequestro e assassinato de seu irmão Rodolfo, aos 24 anos, por criminosos, informou a Agência DW.
