Compartilhar estupro é a nova barbárie no Brasil?

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A pergunta acima é do jornal espanhol El País e tem seu motivo. Dois estupros coletivos foram expostos nesta semana nas redes sociais com centenas de compartilhamentos. Na linguagem cibernética, viralizou.

A cada 11 minutos no Brasil acontece um estupro, segundo o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, cujos dados  mais recentes são de 2014.

Naquele ano, 47,6 mil pessoas foram vítimas do crime no país.

O estupro não é um crime abominável praticado recentemente no país. A moda agora é compartilhar nas redes sociais. Centenas de pessoas comentam, criticam e muitos riem. É corriqueiro, segundo as estatísticas, mas não é, definitivamente, um ato normal para uma sociedade que se diz humana.

O último caso de grande repercussão foi de uma menina, no Rio de Janeiro. Ela teria sido estuprada por mais de 30 rapazes. No Piaui, outra menina foi violentada por um grupo de homens.

Alexandre Frota, o ator pornô que foi recebido na quarta-feira pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, confessou que estuprou uma mulher. A confissão aconteceu num programa de televisão. E muita gente achou graça.

“Quando vocês homens saem à noite com medo de levarem seu celular, a gente sai com medo de ter nossos corpos violados”, escreveu Sofia Alves no Facebook. “Que doença é essa que atinge a 100% dos homens que tavam lá?”, concluiu, em um longo texto com mais de 7.000 compartilhamentos.

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