A última chance que Dilma Rousseff terá para convencer alguns poucos senadores indecisos de que merece ficar no cargo. Este será o ponto alto do histórico julgamento da chefe de Estado.
É remotíssima a reversão do impeachment definitivo. Nem mesmo o PT acredita nisso. Lula da Silva aparece para dar a impressão que não abandonou sua pupila. De fato, ninguém quer mais Dilma, muito menos o PT que pensa somente em 2018.
Rousseff entrará no Congresso acompanhada de uma comitiva de 20 pessoas, formada pelos ex-ministros e congressistas que permaneceram ao seu lado mesmo após seu afastamento em 12 de maio e que participaram ativamente de sua preparação.
Ela se sentará na mesa da presidência duas cadeiras à esquerda do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que comanda o júri. E por 30 minutos – que podem marcar seu último discurso como presidenta do Brasil – trará uma fala “emocionante”, garantem seus apoiadores, com o objetivo de reverter ao menos os seis votos que precisa para ser inocentada do crime de responsabilidade fiscal.
No bunker que se transformou o Palácio da Alvorada nos três últimos meses, Rousseff esteve cercada de Aloizio Mercadante, Jacques Vagner, Miguel Rossetto, Ricardo Berzoini e Eleonora Menicucci, que ao lado dos senadores Kátia Abreu – uma das mais empenhadas em sua defesa no Congresso Nacional – e de Armando Monteiro formam o time de ex-ministros que a auxiliaram com os dados de suas pastas.
Com a munição deles, ela apresentará a defesa de seu Governo e da decisão de remanejar o Orçamento para não prejudicar áreas importantes para a população. Os mesmos senadores que a prepararam são os que formularão as questões que ela responderá. Em uma metáfora esportiva, os parlamentares levantarão a bola para ela cortar.
Os senadores de acusação, entretanto, afirmam que vão preferir se manter em silêncio. A estratégia deles é encurtar o tempo do julgamento e não dar munição aos petistas que propagam a tese de que o Governo está sofrendo um golpe parlamentar.
“Ela já falou muito na campanha [eleitoral de 2014], já falou muito enquanto governou e nada mudou. Ela será julgada pelo crime de responsabilidade, não pelo seu discurso”, afirmou o senador Álvaro Dias, do PV, logo no começo do julgamento.
A falta de perguntas de seus opositores será um gesto, talvez simbólico, para dizer que os argumentos já não importam mais. Eles já tomaram a decisão. (Com o El Pais)


























