Acusado no âmbito da Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, que impulsionou o impeachment de Dilma Rousseff (PT), negociou termos mínimos para se entregar aos policiais federais, como vestir-se de terno, o figurino que preferia até para reuniões informais em sua casa, no auge do seu poder.
A prisão do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi e continua sendo o assunto principal da política brasileira. Ontem, a votação na Câmara foi suspensa e há quem pense que o reflexo deva ser sentido ainda na próxima semana.
A cena de um enfadado Cunha embarcando rumo à Curitiba, a capital que concentra as investigações do escândalo da Petrobras, durou pouco, mas foi suficiente para mergulhar Brasília, de novo, em burburinho e ansiedade.
Cunha já ameaçou correligionários. São seus desafetos o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ministro Moreira Franco (PMDB-RJ), entre outros. E dizem que há muita mágoa contra Michel temer. E se ele “abrir a boca” vai sobrar também para gente do PT.
O repórter Adfonso Benites, do El País, escreve que centenas de políticos comentaram a possibilidade de o peemedebista firmar um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal e delatar seus aliados em supostos esquemas de corrupção.
Não faltou na bolsa de apostas as possíveis implicações da prisão para o Governo do seu correligionário de partido, Michel Temer.
Na gestão Michel Temer, de quem Cunha foi aliado até sua queda, a ordem era fingir que nada estava acontecendo e passar um ar de normalidade às vésperas da votação da PEC 241, que cria um teto de gastos públicos, prevista para a próxima segunda-feira.
Entre os seus aliados, um silêncio quase absoluto. Apenas um defendeu Cunha abertamente na tribuna, Alberto Fraga (Dem-DF). “Hoje foi o Eduardo Cunha. Amanhã, pode ser o Lula.”






















