O desconhecimento a fundo do Estado brasileiro sobre a realidade do sistema prisional do país faz com que governos federal e estaduais não saibam como reagir a crises como a que estourou no início do ano em presídios de várias cidades brasileiras e deixou mais de 130 detentos mortos em confrontos entre facções criminosas.
Para especialistas em segurança, é preciso uma ação integrada de inteligência entre os Estados e a União para se mapear a situação nos sistemas carcerários de cada unidade da federação e detectar quais facções criminosas atuam em cada um desses locais.
A falta desse trabalho e a histórica negligência das autoridades com a questão prisional, que tem na não aplicação de recursos do Fundo Penitenciário destinados ao sistema carcerária um de seus exemplos, provocaram o problema atual que, segundo analistas, vêm já de longa data.
“Nós temos uma política tradicional de que os presos que se arranjem dentro da cadeia. Normalmente deixamos o cotidiano na mão do preso. O Estado não regra as coisas. O Estado nunca se importou com isso”, disse à Reuters Guaracy Mingardi, ex-subsecretário nacional de Segurança Pública e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
“O Estado brasileiro está assistindo isso de camarote, porque não tem nem ideia do que fazer para intervir. Não tem uma política para tratar isso”, acrescentou.
A crise nos presídios teve início já no primeiro dia de 2017, quando o confronto entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC), que teve origem em São Paulo, e da Família do Norte (FDN), que atua no Amazonas, deixou 56 mortos. (Texto de Eduardo Simões, da Reuters)





















