As 30 cabeças cortadas resultantes de uma guerra de facções em uma prisão brasileira neste mês tiveram como inspiração as táticas de cartéis mexicanos e representam uma mudança enorme na violência relacionada às drogas no país, acredita uma autoridade de segurança de alto escalão.
Vídeos mostraram membros da facção Família do Norte brandindo facões e atirando as cabeças no pátio ensanguentado da prisão de Compaj, no Estado do Amazonas, durante a irrupção da violência no dia 1º de janeiro. Mesmo os brasileiros, acostumados com algumas das taxas de crimes mais altas do mundo, ficaram chocados com a brutalidade. O incidente desencadeou uma série de massacres ligados a gangues em prisões que deixaram ao menos 130 mortos neste mês.
O secretário estadual de Segurança do Amazonas, Sergio Fontes, ex-chefe da Polícia Federal com 20 anos de experiência na fronteira norte do Brasil, disse que as facções do narcotráfico estão seguindo os passos das gangues mexicanas, que divulgam suas execuções sanguinolentas na internet.
“Nossa violência começou imitando os cartéis mexicanos. Com relação a isso de cortar cabeças, esquartejar, isso foram os cartéis mexicanos que começaram essa prática bem antes que a gente adotasse essa prática no Brasil. Essa parte de terror, misturar delito com terror”, disse Fontes em uma entrevista por telefone.
Mais da metade dos 56 detentos assassinados no massacre de Compaj pela Família do Norte, o terceiro maior grupo criminoso do país, foram decapitados.
Alguns dias depois da matança, um funk louvando as decapitações circulou nas redes sociais, lembrando canções folclóricas mexicanas que contam histórias de traficantes de drogas e seus feitos, conhecidas como “narcocorridos”.
As prisões superlotadas do Brasil são agora o campo de batalha de uma guerra, que se agrava rapidamente, entre as duas maiores gangues de drogas da nação, o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, que se aliou à Família do Norte. (Da Reuters)





















