O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas tem os números da crise e da insegurança na ponta da língua. É por isso que o comandante do Exército está preocupado com o futuro do Brasil.
“Esgarçamo-nos tanto, nivelamos tanto por baixo os parâmetros do ponto de vista ético e moral, que somos um país sem um mínimo de disciplina social. Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser.”
Esta declaração foi dada ao jornal Valor numa extensa entrevista onde tudo é potencializado e preocupante. Inclusive a corrupção. O general acredita que a Lava Jato é “a grande esperança de que se produza no país alguma mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores”.
O general quatro estrelas de 66 anos de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, está apreensivo também com a política. “Estamos vivendo no país que estabelece grande probabilidade de termos candidatos de caráter populista, porque a população está insatisfeita. Vemos surgir outro fenômeno – é natural que se faça um paralelo com os EUA, onde a sociedade não vê jamais as suas necessidades e o seu pensamento serem expressos por alguém”.
Os números do general sobre a segurança pública, que na opinião dele é uma calamidade: 60 mil pessoas são assassinadas por ano; 20 mil desaparecem no país por ano; 100 mulheres são estupradas por dia; 80% da criminalidade estaria ligada às drogas.
Sobre as fronteiras, o comandante do Exército observa que “estamos otimistas com o processo de paz na Colômbia, mas preocupados. Sabemos que algumas frentes não vão aderir. Existe a possibilidade de membros das Farc se juntarem a outras estruturas de guerrilha, como a Frente de Libertação Nacional ou guerrilhas urbanas. Temos uma incerteza, que vai exigir atenção muito maior para essa área”.
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