“Sempre existiu. Desde a minha época, da época do meu pai e também de Marcelo”, a afirmação é o empresário Emílio Odebrecht, referente a pagamento de caixa dois a políticos, ao prestar depoimento nesta segunda-feira (13) ao juiz federal Sérgio Moro.
Emílio Odebrecht é testemunha do filho, Marcelo, preso desde junho de 2015 pela Operação Lava Jato. Segundo depoimento a Moro, Odebrecht contou que o sistema de doações não contabilizada de empresas a partidos políticos em época de eleição é prática comum no país desde 1990. Além disso, ele admitiu saber que um funcionário da construtora era responsável por efetuar os pagamentos dentro da empresa.
Em contrapartida, Odebrecht disse desconhecer existência da área da empresa “ações estruturadas”, o chamado departamento de propinas, criado especialmente para este fim, descoberto pela força tarefa da Lava Jato
Ele afirmou ainda que jamais tratou de pagamentos ilícitos ao ex-ministro Antonio Palocci. Em contrapartida Odebrecht afirmou que Palocci pode ter sido um dos operadores do PT e recebido recursos para o partido. Apesar de Moro ter decretado sigilo quanto ao depoimento de Odebrecht, houve vazamento.
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares na época do escândalo do Mensalão, em 2005, classificava o caixa dois com expressão semelhante à utilizada pelo depoente, “recursos não contabilizados”.
“As pessoas tem vários nomes para chamar. Nós chamamos de dinheiro não contabilizado. E esses recursos serão, agora, contabilizados como ratificação ao Tribunal Superior Eleitoral que vai tomar as decisões”, disse o ex-tesoureiro petista em entrevista à época.





















