O ministro mais polêmico do Supremo Tribunal Federal é também o mais criticado no Tribunal Superior Eleitoral. Presidente da Corte que livrou Michel Temer e Dilma Roussef da guilhotina, Gilmar Mendes dribla as ácidas críticas com ataques.
E não poupa colegas do Judiciário, como o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Hermann Benjamin, que foi o relator da ação de cassação da chapa Dilma-Temer que foi rejeitada no TSE pelo voto minerva de Mendes. Ele escolheu a Folha de São Paulo para apresentar sua defesa numa entrevista.
Alguns pontos
“Não cabe ao juiz ficar banalizando a impugnação de mandatos. Mas estamos vivendo em um ambiente conturbado. E o que se queria? Que o TSE resolvesse uma questão política delicada (a crise do governo)”.
“Não se tratou de nada disso (sobre provas). O debate se cingiu à discussão sobre o que foi pedido na inicial”.
“Na maioria dos países, resolvidas as eleições, não se impugna mais mandatos. No TSE, inclusive, somos muito seletivos. Não cabe ao juiz ficar banalizando a impugnação de mandatos. Mas estamos vivendo em um ambiente conturbado. E o que se queria? Que o TSE resolvesse uma questão política delicada. Olvidou-se inclusive que os mais feitos atribuídos seriam debitados à candidata Dilma. O relator não falava nomes. Teve esse constrangimento”.
(Por quê?) “Talvez porque ele tenha sido nomeado pelo PT e não queria falar disto. E é até uma pergunta válida, né? Qual teria sido o posicionamento desses ministros se estivesse presente ali a Dilma?”
“Da mesma forma eu absolveria a Dilma. Como a absolvi, pois se ação fosse julgada procedente, ela ficaria inelegível por oito anos. Recentemente eu fui voto minerva na 2ª. Turma (Do Supremo Tribunal federal) decidindo um habeas corpus em favor de José Dirceu. E também sofri críticas imensas, de todos os lados. Podem me imputar vários problemas, mas vão me imputar simpatia por José Dirceu, não é?”
“Todos usam sistema de financiamento com base em obras públicas, em serviços. Mas essa sistematização, que ficou bem explicitada no julgamento, ninguém tira do lula-petismo. Mas, enfim, o fato de eu ser crítico do PT nunca me levou a julgar de maneira diferente. Tanto é que nunca questionaram minha imparcialidade no TSE. Em 2015, ao contrário do que esperavam, votei pela aprovação das contas de Dilma Rousseff”.
